Como pode jornalista relativizar apoio a ditadura e tortura?
   12 de outubro de 2018   │     15:35  │  13

por Aprigio Vilanova*

Não há possibilidade de um jornalista, com o mínimo de formação política crítica e humanística, desconsiderar que a categoria foi alvo preferencial da perseguição instituída durante a ditadura militar brasileira.

Não existe um levantamento exato acerca dos profissionais presos, torturados ou mortos durante o regime. Mas há casos conhecidos de profissionais que sofreram as mais diversas atrocidades apenas pelo fato de fazer seu trabalho.

O mais emblemático é de Wladimir Herzog , diretor da TV Cultura a época, foi assassinado em uma das salas de tortura do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODi) paulista. 

Wlado, como era carinhosamente conhecido, foi assassinado devido aos diversos métodos de tortura aplicados pelos agentes da força policial e militar do Estado brasileiro. A versão oficial que circulou foi a a de que Wlado havia se suicidado com um cinto na cela na qual se encontrava preso.

Cena montada para fazer crer que Wlado cometeu suicídio

As prisões, torturas e mortes não foram só as consequências da ditadura militar, as redações jornalísticas viviam sob o fantasma da censura. A ditadura designava um militar, geralmente, para aprovar o conteúdo que seria veiculado.

Se hoje estamos sob a égide da democracia devemos, tmbém, a estes profissionais que foram presos, torturados e mortos. Não há como relativizar as declarações feitas pelo candidato nais quais defende ditadura e tortura. 

Relativizar as declarações se utilizando da muleta da isenção jornalística é corroborar com as declarações e, mais do que isso, é colocar a digital nos crimes cometidos contra os profissionais que ousaram lutar contra o arbítrio.  

Ataques

A mídia está silenciando sobre os ataques diários sofridos por profissionais de imprensa nesta campanha eleitoral. O candidato Bolsonaro estimula esta onda de violência quando incuti na mente de seus seguidores o espantalho das fake news. 

Tudo o que é publicado e que o desagrada, de alguma maneira, é considerado mentira e perseguição da mídia. Bolsonaro segue a cartilha que Donald Trump seguiu nas eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Os ataques feitos a imprensa tem a intenção de minar a credibilidade dos veículos e construir o caminho do controle e da censura.

Formação política débil

Roseli Fígaro, professora e coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT), realizou estudo que concluiu que os profissionais do jornalismo estão com formação política e a postura crítica prejudicadas.

Para a pesquisadora, os profissionais são majoritariamente não sindicalizados, de formação política débil e com pouca capacidade de análise. O estudo revela que este cenário é devido a parca formação humanística e a opção por uma formação com foco voltado para as questões técnicas. 

 

 

COMENTÁRIOS
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  1. Ismar Lula Pereira

    NOSSO PAÍS SABE BEM O QUE É VIVER NAS TREVAS DE UMA DITADURA. TODO TIPO DE VIOLÊNCIA TEM QUE SER RECHAÇADA SE QUISERMOS DEIXAR PARA OS NOSSOS FILHOS E NETOS UM LUGAR PROMISSOR. SE O BRASIL HOJE PODE SAIR ÀS URNAS, E ESCOLHER LIVREMENTE, SE DEVE AO FATO DE TERMOS TIDO A CORAGEM DE SEPULTAR AQUELE REGIME ASSASSINO MONTADO PELOS MILITARES. AQUILO FEZ UM MAL IRREPARÁVEL À NAÇÃO BRASILEIRA. SIGAMOS COM FERNANDO HADDAD, QUE É O REPRESENTANTE DA DEMOCRACIA E DA CIVILIDADE.

  2. NÃO ENTENDO NADA

    A DITADURA MILITAR MATAVA POR ORDEM DOS PRÓPRIOS PRESIDENTES MILITARES, COMO O GENERAL ERNESTO GEISEL, E OS ESCÂNDALOS ENVOLVENDO O REGIME DOS COTURNOS FORAM TANTOS. COMO PODEM TER MORRIDO POBRES AQUELES PRESIDENTES QUE TANTO FIZERAM PARA SE PERPETUAREM NO PODER?

  3. Pedra Noventa

    Votar é uma questão de caráter.
    Eu não voto em esquerdistas, corruptos, ladrão do dinheiro público.

  4. Cláudia

    Sr. Aprígio, não é só a classe dos jornalistas. A artística também anda de olhos vendados. Tem a até um exemplo, nem sei se é bem apropriado, que é o da Regina Duarte. A ex-namoradinha do Brasil e atual apavoradinha do Brasil pousou para foto ao lado do fascista Bolsonaro. Lembrando que ela já fez campanha para José Serra, em 2002, contra o Lula, dizendo ter medo do PT transformar o Brasil em Cuba.

  5. RAPHAEL

    JAÉRA BOLSONARO. O DITADOR-CANDIDATO DOS MUITOS IMÓVEIS NÃO-DECLARADOS E QUE ESTÁ ATÉ O PESCOÇO ENVOLVIDO NA FAMOSA LISTA DE PROPINAS DE FURNAS KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  6. Wellington

    Prezado AprigioVilanova
    Concordo com vc em que a ditadura não é boa, nenhuma delas, como a de CUBA ,Venezuela, Mao-tes -tung ou como de Stálin na Uniao Soviética. Governos de Opressão. Já com relação a mídia. Em sua grande parte sim distorce os fatos. Acredito que jornalistas tem que se atentar o fato e esclarecer para a população. Sem precisa defender nenhum tipo de politico.
    Por isso prezado se atente apenas aos fatos e não se faça de vitima. Ai olha só estou sendo atacado!!! Me poupe.

  7. Jonathas Alves

    Ronaldo vc falou tudo, ditadura na verdade é a que esse colunista comunista defende, tem problema não colega, quando o Bolsonaro ganhar, vc pega e vai ser jornalista em Cuba, lá é uma maravilha pra seus pensamentos!

  8. ronaldo

    Nenhum tipo de ditadura presta, agora que moral tem esse colunista comunista em falar contra ditaduras, se vocês vivem defendendo as ditaduras de Cuba, Venezuela, Coreia do Norte e China, é muita hipocrisia, DITADURA BOA É SÓ A COMUNISTA NÉ BOB! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK #17B NOSSO PRESIDENTE.

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