O que nos espera é o que esperamos?
   17 de setembro de 2018   │     19:40  │  3

por Aprigio Vilanova*

Quem conhece um pouco da história brasileira há de concordar que estamos entrando na antesala de um período que pode trazer de volta fantasmas que assombraram a vida política e democrática nacional.

Tudo parece bastante estranho, existe uma paranóia delirante na extrema direita nacional que resolveu, desde junho de 2013 e se acentuou com o impedimento da presidente Dilma Rousseff, colocar suas asas de fora.   

A negação da política e das soluções dentro da democracia é o combustível que dá energia para esses grupos se alimentarem, a intolerância já bate a porta de todos nós e o resultado deste fenômeno tem tudo para ser devastador.

Militares de alta patente, da ativa e da reserva, mandaram às favas os escrúpulos e já opinam abertamente acerca do processo eleitoral. Fica clara a preferência, agem como cabos eleitorais e tentam tutelar o regime democrático.

É claro que agem, sobretudo, influenciados por setores da elite nacional que com sua gênesis escravagista continuam com sua mentalidade anti-povo. E nesse processo não podemos deixar de fora setores da grande mídia que nutriram o ódio e pariu a intolerância.

O momento que passamos é por demais parecido com as vésperas do golpe militar de 1964. A construção da narrativa do perigo que os comunistas representam para a sociedade brasileira é comum aos dois momentos. 

O discurso de que a família tradicional se encontra ameaçada pelos ideais dos partidos de esquerda é também presente nestes dois momentos da nossa história. O apelo as questões morais são sempre lançados em momentos que antecedem o extremismo. 

E para engrossar o caldo de desinformação vigente, apelam para o perigo da quebra da lei e da ordem. Mas se olharmos à História, em perspectiva, veremos que a lei e a ordem foram sempre rompidas por estes mesmos setores que aforam a sua defesa.

A história brasileira é marcada por momentos autoritários, a elite política e econômica não é dada a democracia. Aliás, a democracia é sempre colocada em xeque quando avaliam que podem ter seus privilégios diminuídos. 

Se faz mais que necessária a união dos setores democráticos e progressistas da sociedade para criar um movimento nacional que garanta a democracia e as conquistas democráticas. Fora da democracia perigamos jogar o país em uma guerra civil.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG 

 

 

COMENTÁRIOS 3

Emancipação de Alagoas: prêmio a fidelidade à Coroa portuguesa?
   16 de setembro de 2018   │     18:14  │  2

por Aprigio Vilanova*

16 de setembro é comemorada a emancipação politica da Comarca de Alagoas da Capitania de Pernambuco. O decreto, assinado por Dom João VI, em 16 de setembro de 1817, oficializou a separação e elevou Alagoas a condição de capitania. 

A oficialização do desmembramento se deu no bojo da Revolução Pernambucana de 1817, movimento de cunho separatista e de caráter republicano. Movimento liderado pelas elites locais, mas que contou com grande adesão das camadas populares.

Diferentemente da Inconfidência Mineira e da Conjuração Baiana, a Revolução Pernambucana foi para além da fase conspiratória, alcançando o poder por mais de dois meses. Pretendeu a independência do Brasil e a implementação de um regime republicano em terras tupiniquins.

A tensão existente entre as oligarquias locais e a Coroa, além das péssimas condições de vida das camadas populares, somando a isso a propagação das ideias iluministas formaram a base para a deflagração do movimento. 

O movimento superou os limites da Capitania de Pernambuco conseguindo apoio em outras capitanias da região, inclusive aqui em Alagoas. Em Alagoas, o senhor de engenho Manoel Vieira Dantas e sua esposa Ana Lins, pais do Visconde de Sinimbú, e o comandante das armas de Alagoas, Victorino Borges, defenderam as ideias da revolução. 

Mas a comarca de Alagoas permaneceu fiel à Coroa portuguesa, o ouvidor Antônio Ferreira Batalha aproveitou a revolta e desmembrou a comarca de Alagoas da capitania de Pernambuco, criando um governo provisório. Em 16 de setembro de 1817, Dom João VI sanciona por decreto real o desmembramento e cria a Capitania de Alagoas.

O ouvidor Batalha juntamente com o Conde D’arcos, último vice-rei do Brasil, organizaram a resistência para reprimir a revolta. As tropas portuguesas atacaram por terra e por mar, uma esquadra cercou o porto de Recife, o movimento foi sufocado em maio de 1817.

Interpretações históricas

Existem duas interpretações acerca da elevação de Alagoas a condição de capitania. Uma corrente de interpretação defende a tese de que a elevação à capitania se deu, exclusivamente, ao desenvolvimento econômico que a comarca experimentava aquela época.

A outra corrente sustenta a ideia de que o desmembramento e a ascensão a condição de capitania ocorreu como retaliação do governo colonial a Pernambuco. O desmembramento foi uma espécie de punição a Pernambuco e de prêmio à Alagoas por não ter aderido ao movimento revolucionário de março de 1817. 

A questão é que a emancipação política de Alagoas pode ter sido uma junção dos dois fatores, tanto o desenvolvimento econômico da região, quanto a punição a Pernambuco. O fato é que Alagoas é desmembrada e o português Sebastião Francisco de Melo e Povoas é nomeado o primeiro governador da Capitania das Alagoas, tomando posse somente em 1819.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

 

COMENTÁRIOS 2

Celso Brandão: “O importante é ser criativo”
   14 de setembro de 2018   │     0:54  │  2

por Aprigio Vilanova (texto, foto e vídeo)

Fotógrafo alagoano Celso Brandão

O fotógrafo alagoano, Celso Brandão, com cinco décadas de carreira e um vasto registro do cotidiano alagoano, que vai desde as manifestações da cultura popular até a arte desenvolvida pelo nosso povo,  concedeu entrevista exclusiva ao Blog do Bob, onde revela  o início na fotografia, as primeiras imagens, sua relação, um tanto que conflituosa, com seu pai, os desafios enfrentados na transição da fotografia analógica para a digital e deixou uma mensagem para quem deseja se enveredar pelo mundo da fotografia.

Celso é referência na fotografia alagoana, já participou de exposições nacionais e internacionais e teve seus livros publicados em vários países. O mais recente é Ilha do Ferro, região do sertão alagoano.

 

O fotográfo alagoano participou do Café e Foto, no Café da Linda, no Teatro Deodoro, projeto desenvolvido pelo também fotógrafo, Jorge Vieira que tem o objetivo de aproximar os profissionais da fotografia e o público, cada vez maior, de interessados por fotografia. A iniciativa convida fotógrafos alagoanos para um bate papo sobre fotografia e o fazer fotográfico. 

Clique e assista a entrevista:

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

COMENTÁRIOS 2

Guarani Kaiowá tem vitória histórica na Justiça
   13 de setembro de 2018   │     15:35  │  1

por Aprigio Vilanova*

A Justiça Federal da 3ª região (TRF-3), do Mato Grosso do Sul (MS), garantiu o direito da Comunidade Indígena Laranjeira Ñanderua, tribo dos Guarani Kaiowás, à posse da terra na reserva legal na área da fazenda Santo Antônio da Nova Esperança, em Rio Brilhante (MS).

O proprietário da fazenda está proibido de impedir a entrada das equipes da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e da Fundação Nacional da Saúde (FUNASA) para atendimento aos indígenas, assim também como os índios não podem ultrapassar os limites da área de mata. 

A justiça determinou multa para as infrações que possam ocorrer após a decisão, os valores estipulados são R$10 mil diários para qualquer descumprimento da decisão judicial. A decisão saiu após 11 anos de disputas jurídicas.

Na decisão, o juiz aceitou os argumentos do Ministério Público Federal, do Mato Grosso do Sul (MPF-MS), no qual afirma que a comunidade Laranjeira Ñanderua, mesmo após ter sido expulsa de suas terras, na década de 40, permanece com seus direitos de povos originários da região.

Para o MPF-RS, não há nada que evidencie a retirada espontânea dos Guarani-Kaiowá da região. O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu, como marco temporal, o dia 5 de outubro de 1988, para resolver questões acerca de conflitos fundiários. Para o MPF a Comunidade só não estava na terra, a partir desta data, devido o fato de terem sidos expulsos.

Ainda segundo o MPF-MS é a primeira vez na história do Brasil que o marco temporal é utilizado em uma causa de conflito agrário a favor de uma comunidade indígena.

A justiça determinou a permanência na área e comunicou o ministro da Justiça, Torquato Jardim, para que o grupo de trabalho da Funai leve em consideração a decisão no plano de estudos para a demarcação da Terra Indígena Brilhantepeguá, que abrange Laranjeira Ñanderua.   

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

 

COMENTÁRIOS 1

O golpe no Chile, silêncio na mídia brasileira e o outro 11 de setembro dos EUA
   11 de setembro de 2018   │     21:58  │  16

por Aprigio Vilanova*

O 11 de setembro não marca só o ataque as torres gêmeas, do Worl Trade Center, nos Estados Unidos da América (EUA). Marca também o golpe militar que bombardeou o Palácio La Moneda, derrubou o governo chileno democraticamente eleito e forçou o suicídio de Salvador Allende.

Há exatamente 45 anos chegava ao fim o governo socialista de Salvador Allende e iniciava uma das ditaduras militares mais cruéis da América Latina. Pouco foi repercutido, na imprensa brasileira, acerca do golpe militar estimulado, articulado e financiado pelos EUA.

Nos estudos da ciência política e de comunicação de massa é possível enquadrar, esta pouca ou nenhuma repercussão, na teoria do espiral do silêncio, observada pela filósofa alemã Elisabeth Noelle-Neumann.

A teoria é basicamente silenciar acerca das opiniões que são minoritárias em um determinado contexto social. Nesta teoria o mais importante são as opiniões dominantes e estas tendem  se refletir nos meios de comunicação.

No caso, mais específico, da mídia e da comunicação de massa pode ser adotada para evitar temas polêmicos ou que vão de encontro a linha editorial da empresa. Em um momento de polarização e de perseguição ao pensamento tido como de esquerda, não é de se estranhar o silêncio ensurdecedor da nossa grande mídia.

Enquanto países latinoamericanos que experimentaram o terror de um governo ditatorial e todas as suas inerentes atrocidades punem os responsáveis pelos crimes cometidos contra humanidade, o Brasil permite um candidato à presidência fazer exaltação a um torturador confesso.

O outro 11 de setembro dos Estados Unidos

Allende discursa como presidente chileno

11 de setembro de 1973 marca a história do Chile, neste dia, apoiado pelos Estados Unidos (EUA), setores golpistas das forças armadas chilena, lideradas pelo general Augusto Pinochet, concretizaram o golpe militar que levou ao suicídio do presidente, democraticamente eleito, Salvador Allende.

É importante ressaltar que a Agência Central de Inteligência (CIA, em inglês) investiu centena de milhares de dólares em propaganda anti-Allende, associando o candidato socialista a União Soviética. Os recursos foram destinados basicamente para o jornal ‘El Mercurio’.

Por outro lado a União das Repúblicas Socialistas Soviétias (URSS) também investiu outras centenas de milhares de dólares para garantir a vitória de Allende nas eleições de 1970. O mundo vivia o período da Guerra Fria, momento em que EUA e URSS disputavam as zonas de influência no planeta.

Allende concorre as eleições na coalizão de partidos de esquerda Unidade Popular (UP) , composta pelos partidos socialista, comunista, radical, social-democrata, Movimento de Ação Popular Unitário (Mapu) e Ação Popular. As duas principais forças eram a socialista e a comunista.

A eleição, em setembro de 1970, se deu em um ambiente de bastante acirramento entre as forças políticas. Allende foi eleito com 36,6 % dos votos, contra 34,8%, do candidato da direita, Jorge Alessandri, do Partido Nacional. Uma vitória apertada.

A constituição chilena previa dois momentos para consolidar a eleição presidencial: o primeiro através do voto popular e, no segundo momento, a aprovação no Congresso Nacional para concretizar a vitória do candidato das eleições populares.

Desde o anúncio da vitória de Allende, os Estados Unidos se articularam, junto aos setores golpistas, para impedir a posse de Allende. O conselheiro de segurança nacional dos EUA, Henry Kissinger fez pronunciamento afirmando que a vitória de Allende levaria o Chile ao comunismo e que a evolução da política chilena é muito séria aos interesses da segurança nacional dos EUA. 

O Comandante-em-Chefe das Forças Armadas do Chile, a época da eleição, o general constitucionalista René Schneider, era o empecilho indesejado das forças golpistas chilenas para dar cabo ao plano de impedir a posse do presidente eleito.

Schneider é brutalmente assassinado por membros do Patria y Libertad, grupo neofacista financiado pela CIA, por não mobilizar as forças armadas para impedir a posse de Allende. Mesmo com o assassinato do general legalista, Allende garante a vitória no Congresso nacional e assume a presidência do Chile, em outubro de 70.

Governo Allende

O primeiro ano do governo Allende foi de profundas transformações na sociedade e na economia chilena. Em julho de 71 foi aprovada a lei de nacionalização com votação unânime, a partir daí foram privatizadas a minas de cobre e as indústrias de ferro, de salitre, na Compainha de Telefos do Chile e no sistema bancário, incluindo aí o americano City Bank.

As medidas estatizantes começam a surtir efeito na economia, com a estatização do sistema financeiro a política de crédito é reorientada para atender os pequenos e médios produtores e para financiar projetos de desenvolvimento industrial e social.  Além dos investimentos para reativação do setor da construção civil, com a política de construção de moradias populares.

Allende promove a reforma agrária expropriando 5 milhões de hectares, extinguindo os latifúndios improdutivos e beneficiando cerca de 40 mil famílias de camponeses.

As medidas adotadas, nos campos econômicos e sociais, surtem efeito e já no primeiro ano a produção industrial ultrapassa os 12%, o produto interno bruto (PIB) cresce 8%, o desemprego diminui e aumenta a participação dos assalariados na renda nacional.

Os investimentos em educação e saúde diminuíram os índices de mortalidade infantil e de analfabetismo. O programa de previdência social foi ampliado e passou a atender a feirantes, pequenos comerciantes, artesãos.

O reconhecimento da aprovação das políticas implantadas ficou evidenciado com a esmagadora votação que a UP teve no pleito para eleição municipal. A coalizão do governo conseguiu 50 % dos votos, contra 27% da Democracia Cristã (DC) e 20% do Partido Nacional (PN).

Sabotagem ao governo

A medida que Allende implementava a plataforma de governo eleita, a burguesia chilena atrelada aos interesses americanos começou a colocar em prática o plano de desestabilização do governo e de boicote e destruição da economia nacional. 

Os investimentos externos foram interrompidos e houve uma remessa ilegal de capita pra o exterior. Em 72, estoura uma greve dos caminhoneiros, que causou desabastecimento, inclusive de combustíveis, do comércio, dos transportes urbanos e dos hospitais particulares. 

Greve dos caminhoneiros provoca falta de combustível

Os grandes pecuaristas contrabandearam os rebanhos, jogaram uma dezena de milhões de litros de leite e interromperam a semeadura da terra, causando uma redução drástica na produção de alimentos.

O efeito do boicote foi a elevação do processo inflacionário e a proliferação do mercado clandestino. As fábricas fechadas foram ocupadas pelos trabalhadores e o campesinato tratou de retomar a produção nas fazendas paralisadas. A organização e mobilização das camadas populares foi o que conseguiu garantir uma sobrevida ao governo Allende. 

Eleições legislativas e o clima terrorista 

Arturo Araya, de paletó, atrás de Allende

Mesmo com todos os problemas economicos advindos do boicote, a UP consegui 44% dos votos nas eleições para o Congresso Nacional chileno, o que frustrou qualquer  esperança da direita alinhada aos estados Unidos em colocar em prática um golpe ‘branco’, encabeçado pelo legislativo. A UP vinha aumentando a cada eleição seu número de votos absolutos.

O clima era de agitação no seio da população chilena e a direita vinha articulando vários ataques terroristas. Em 72, foi desarticulado um plano para assassinar Allende, vários militares e civis, ligados ao grupo Patria y Liberdad, foram presos. Em julho de 73, o comandante naval, Arturo Araya, foi assassinado. O clima era de guerra civil.

O golpe

Pinochet, ao fundo, presta continência ao presidente Allende

Como falado o golpe ao governo Allende vem sendo articulado antes mesmo do presidente tomar posse, mas a sua concretização só vai acontecer três anos após eleição. Na manhã de 11 de setembro, após um manobra militar em conjunto com a marinha americana, a marinha chilena inicia o movimento revoltoso na cidade de Valparaiso.

Ao passar das horas foi ficando claro que se tratava de um movimento das forças armadas com o objetivo de implementar um golpe de estado. A frente do movimento Augusto Pinochet, chefe das Forças Armadas e homem de confiança de Allende.

Com as informações das manobras das forças armadas, Allende se dirige ao Palácio La Moneda. Allende pretendia resistir ao movimento golpista das forças armadas e assim o fez até o quanto pode.  Allende não havia preparado uma estratégia para resistir a um golpe de estado, mesmo não faltando evidências de que, mais cedo ou mais tarde, isto haveria de acontecer.

A resistência veio de grupos de estudantes e trabalhadores armados que foram logo massacrados. Ainda pela manhã algumas rádios chilenas começam a reproduzir as primeiras mensagens da junta militar golpista que pediam a Allende que entregasse o cargo e evacuasse o palácio, sob pena de sofrer um bombardeio por terra e ar.

Allende não se entrega e organiza o último discurso ao povo chileno em cadeia de rádio:

“Colocado em uma transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E os digo que tenho a certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser cegada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Superarão outros homens nesse momento cinza e amargo onde a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.”

Os tanques e os aviões da força Aérea chilena começam a bombardear o Palácio la Moneda ainda pela manhã. Allende não se entrega e acaba se suicidando com um tiro de uma metralhadora. O golpe milita se concretiza por volta da duas horas da tarde.

 

 

Filmes que retratam a ditadura militar que derrubou Salvador Allende

 

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

 

 

COMENTÁRIOS 16