“Perigosíssima essa situação” – diz Temer para Joesley. Pior é que ficou pior…
   27 de junho de 2017   │     1:42  │  5

Brasília – Nas gravações telefônicas das conversas não-republicanas entregues pelo empresário Joesley Batista à Polícia Federal, o presidente Temer pareceu preconizar o que está vindo por etapas contra ele.

De fato, a situação é perigosíssima para o presidente – que é o primeiro da história a ser processado por crime cometido no exercício do mandato.

Independente de a Câmara autorizar ou não o processo, o desgaste é irreversível e o pior para o presidente é que virá em três etapas. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fatiou o processo em três, ou seja, serão três denúncias e uma de cada vez.

Tem o crime de corrupção passiva, obstrução de justiça e organização criminosa, tudo fatiado em três denúncias, o que fará o presidente sangrar por etapas.

Prevendo o que pode acontecer de desfavorável na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o governo trocou o deputado major Olímpio pelo deputado Áureo Ribeiro, ambos do Solidariedade (SD).

O major Olímpio é critica do governo e não era voto certo para Temer.

O ministro Edson Fachin, que é o relator do processo contra Temer, pode ouvir testemunhas ou enviar o processo direto à Câmara, que repassaria à Comissão de Constituição e Justiça, que terá 10 sessões para discutir o pedido de abertura de processo criminal contra Temer.

Enquanto luta desesperadamente para sobreviver, Temer já pode comemorar – se é que se deva comemorar tamanha macula -, o fato de ser o primeiro presidente da República denunciado por corrupção praticada no exercício do mandato.

Agravando a situação, tem a denúncia publicada na Folha de S. Paulo sobre a mobilização no governo para trocar o diretor da Polícia Federal, Leandro Daiello, o que é visto como um golpe na Operação Lava Jato.  

O diretor da Polícia Federal está no cargo há muito tempo e é conhecido pela competência, independência e profissionalismo. Não há motivo para trocá-lo, exceto para quem deseja um diretor que possa ser manipulado.

Os sinais que vêm do Planalto Central do País mostram um presidente encurralado e um país à deriva.

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Por que o Temer recusa o conselho lúcido do Fernando Henrique?
   26 de junho de 2017   │     14:47  │  15

Brasília – O presidente Temer retornou muito chateado da viagem que fez à Rússia e à Noruega.

E não era para ser diferente.

Temer até pensou em desistir da viagem, mas foi aconselhado a viajar para “não passar recibo” acerca da grave situação que enfrenta.

Humilhado na Rússia, quando foi recepcionado no aeroporto apenas pelo embaixador brasileiro – que era obrigado a recepcioná-lo -, e um funcionário de segundo escalão do governo russo, Temer sofreu outra humilhação na Noruega.

Desconsertado, ele confundiu o rei da Noruega com o rei da Suécia e a reunião com os parlamentares noruegueses com a bancada brasileira. Foi um vexame histórico, que está diretamente relacionado à situação caótica que vive no governo.

A entrevista do ex-amigo íntimo Joesley Batista, chamando-o de chefe da maior quadrilha brasileira – e não é quadrilha junina -, repercutiu mundialmente. Os anfitriões russos e noruegueses já sabiam que iriam tratar de negócios com um presidente denunciado por corrupção e, dessa forma, desmoralizado e enfraquecido.

No retorno ao Brasil, no lugar de ir tratar do balanço dos negócios feitos na Rússia e na Noruega, Temer foi tratar da defesa dele nas acusações de prática de crimes graves. Até porque, ele não fez negócio algum – pelo contrário, a Noruega cortou metade da ajuda anual para preservação da Amazônia.

Com o País à deriva, Temer se sustenta na cumplicidade de quem igualmente enfrente problemas com a polícia e a justiça e se esconde com o mandato de deputado. Esses, que somam mais de 200, vão garantir a impunidade a Temer.

Mas, e daí? Resolve-se o problema do País?

Não.

E é aí que entra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com o conselho lucido para Temer renunciar a presidência “num gesto de nobreza”.

Ocorre que esperar “gesto de nobreza” de quem teme ser preso, depois de ter sido chamado de chefe da maior quadrilha do País, é esperar o impossível.

Temer continuará sangrando e com ele o País atônito, estupefato e humilhado. Triste Brasil. Oh! Quão dessemelhante…

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Mais problemas para Temer, no retorna da viagem à Rússia e à Noruega
   23 de junho de 2017   │     1:27  │  66

Brasília – O procurador Rodrigo Janot tem até terça-feira 27, para decidir se denuncia o presidente Michel Temer por corrupção passiva.

O processo é referente ao flagrante do Rodrigo Rocha Loures correndo com a mala de dinheiro, mais precisamente R$ 500 mil de propina.

A Polícia Federal enviou 84 perguntas para Temer responder e não obteve todas as respostas; o que ficou em branco iguala-se à confissão de culpa.

Nas gravações entregues à PF pelo delator, o interlocutor indicado por Temer ao empresário Joesley Batista, para resolver os problemas financeiros da JBS com o governo, é o Rodrigo Rocha Loures – que está preso.

Por ter indicado Loures para a JBS, Temer assumiu a cumplicidade e por isso foi denunciado por corrupção passiva. Sem dúvida, trata-se de situação complicado com o presidente denunciado por corrupção.

Temer deve desembarcar sábado 24, procedente da Noruega, depois de visitar a Rússia.

 Mas, não é apenas o problema judicial que vai encontrar no retorno; tem a insurreição na base aliada, que até agora está sendo contida com muito custo, e tem o desmentido do Banco Central ao ufanismo quanto à recuperação da economia.

Ao contrário do que o Temer disse na viagem à Rússia e à Noruega, para o Banco Central não dá para falar na recuperação da economia antes de se aprovar as reformas trabalhista e previdenciária. Engrossando o balanço negativo, a Noruega cortou em 50% a ajuda anual para a preservação da Amazônia, como punição pelo governo não ter contido o desmatamento.

O balanço da viagem, ainda que o governo diga que foi positivo, é de frustração e isso está explicito no saldo negativo na Noruega – no lugar de ampliar a ajuda, o Brasil perdeu metade da verba que os noruegueses mandam para preservação da Amazônia.

E a semana começa sob suspense, porque na terça-feira 27 o procurador-geral da República decide se denuncia Temer por corrupção passiva. Ainda que o governo tenha os votos para barrar o pedido de impeachment na Câmara, o desgaste vai fragilizá-lo ainda mais e o desgaste pode ser fatal.

 

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Delações do dono da JBS não “evaporam” e mantém o governo acuado
   21 de junho de 2017   │     1:00  │  55

Brasília – O presidente Temer retornará da viagem à Rússia e à Noruega, no sábado 24, e encontrará a situação no País pior do que deixou.

A delação do empresário Joesley Batista, que o governo imaginava evaporar enquanto estivesse fora do País, reascendeu com furor.

A Polícia Federal admitiu haver “evidências com vigor” nas delações do dono da JBS. Tem ainda o laudo que comprova não ter havido adulterações nas gravações que o Joesley fez com o Temer, sem que o presidente soubesse que estava sendo gravado.

O pior, para o governo, é que a nota divulgada pelo Palácio do Planalto e a própria fala do Temer nas redes sociais levaram o presidente a cometer o erro grave:  ninguém deve se defender acusando, pior ainda detratando alguém que já foi tão íntimo.

Tão íntimo, que tinha o privilégio de entrar no palácio pela porta dos fundos e sem se identificar. Como tratá-lo agora como bandido?

Sabe-se agora o real motivo da demissão da presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, que, de acordo com a delação de Joesley, deveu-se a ela não ter cumprido a ordem dada por Temer para aprovar a reestruturação societária da JBS no exterior.

A então presidente do BNDES era contra porque isso acarretaria perda de divisas para o País.

O Palácio do Planalto divulgou nota confirmando o que Joesley contou, mas justificou que Temer mandou chamar a então presidente do BNDES para tratar de outros assuntos eminentemente profissionais e republicanos.

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Temer viaja e entrega o País a Padilha e Moreira Franco, os “tutores” da República
   20 de junho de 2017   │     0:35  │  43

 

Brasília – Na Itália, a Operação Mãos Limpas atingiu o seu limite antes de começar a atirar para trás e acertar idealizadores, simpatizantes, etc.

No Brasil, a Operação Lava Jato parece que ultrapassou o limite e agora não tem mais como parar.

O juiz Sergio Moro, que foi o único protagonista no primeiro momento da Operação Lava Jato, agora nada tem a ver com as denúncias contra o senador licenciado Aécio Neves; não é o Moro que está investigando nem foi o Moro que mandou prender a irmã do Aécio.

Ao desmembrar a Operação Lava Jato, o Supremo transferiu para a Capital Federal a prerrogativa de investigar e julgar os que têm foro privilegiado. Assim as denúncias contra Aécio vieram à tona, dando à Operação Lava Jato a amplitude que se imaginou impedir.

Temer queria desistir da viagem à Rússia e à Noruega, mas foi convencido de que isso pegaria mal interna e externamente. Passaria a imagem de um presidente acuado e preocupado.

De fato, Temer está preocupado. Ele preside o País com um olho na política e outro nos próximos delatores presos pela Operação Lava Jato e cujo silêncio estava sendo comprado.

Se a fonte secar mesmo, eles abrem a boca.

O retorno de Temer da viagem à Rússia e à Noruega está previsto para sábado. Até lá, tudo o que o presidente pode fazer é torcer para que os seus “generais” Elizeu Padilha e Moreira Franco consigam manter a tropa em forma e fiel.

Só para recapitular: Moreira Franco é sogro do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que assumiu a presidência da República na ausência de Temer.

E o Moreira tem os planos.

E um dos planos consensual passa pela escolha do substituto do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que terá de ser alguém que não cause problemas para o governo e aliados – ainda que isso leve a desobedecer à prática da lista tríplice.

E como não havia nada a fazer aqui, que o Padilha e o Moreira Franco não fizessem melhor, o Temer se convenceu de que deveria viajar, mesmo que sabendo da reação dos anfitriões – os quais, obviamente, ficarão com um pé atrás diante da insegurança em relação ao visitante.

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