Moreira Franco é o quinto ex-governador do Rio já preso
   21 de março de 2019   │     19:51  │  8

por Aprigio Vilanova*

A prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB-SP) e do ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco (MDB-RJ), nesta quinta (21), decretada pelo juiz, Marcelo Bretas, a pedido do Ministério Público Federal, gerou grande repercussão e levantou alguns questionamentos.

As críticas a prisão de Temer partiram de vários espectros políticos, das mais variadas colorações. A ex-presidente, Dilma Rousseff, questionou a existência de provas para embasar o pedido de prisão.

O juiz Wálter Maierovitch afirmou: “Mantido solto ele continuaria a delinquir”. O fato é concordando ou não com a prisão de Temer o fato gerou diversas especulações acerca da motivação, uma vez que não há nenhum fato novo e desde janeiro, o ex-presidente não possui mais foro privilegiado.

Muito tem se falado da prisão de Temer e Moreira Franco como uma retaliação as declarações feitas por Rodrigo Maia (DEM- RJ) criticando a postura do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Outros dizem que as prisões são uma resposta a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de enviar inquéritos relativos aos casos de caixa-dois à Justiça Eleitoral.

Há, também, quem acredite que a decisão do STF que suspendeu a criação do fundo bilionário da Lava Jato e que o inquérito aberto para investigar as fake news contra os ministros do STF também tenham influenciado.

Quinto ex-governador

Moreira Franco foi governador do Rio de Janeiro entre 1987 e 1991 e com a sua prisão sobe para cinco o número de ex-governadores fluminenses que já foram presos. Moreira Franco se junta aos ex-governadores Antonhy Garotinho e Rosinha Garotinha, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, estes dois últimos continuam encarcerados. Benedita da Silva (PT-RJ) é a única entre os ex-governadores do Rio de Janeiro ainda vivos que não foi presa.

No depoimento ao ex-juiz, Sérgio Moro, Eduardo Cunha (MDB-RJ),  ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, afirmou que de Moreira Franco não duvida de nada. O depoimento de Cunha foi acerca das denúncias de recebimento de propina do Grupo Bertin.

*Jornalista formado na Universdade Federal de Ouro Preto – MG

 

 

COMENTÁRIOS 8

Declarações de Maia revelam conflito entre Legislativo e Executivo
   20 de março de 2019   │     21:34  │  13

por Aprigio Vilanova*

A relação entre o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados começa a desandar. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, nesta quarta (20), que ao mesmo tempo que critica, o presidente Bolsonaro quer interferir no parlamento.

A rusga que começa a ganhar a imprensa diz respeito a prática comum em um regime presidencialista de coalisão, por mais que Bolsonaro queira fazer crer que sua prática é diferente dos demais ex-presidentes, a realidade é bem diferente.

Maia fez a declaração a imprensa afirmando que “Eu acho engraçado. Quando dizem que o Parlamento quer indicar alguém no governo é toma lá dá cá. Quando eles querem indicar  relator aqui e interferir no processo legislativo não é toma lá dá cá?”.

Para Maia, o governo precisa decidir qual a relação ele quer estabelecer com o Legislativo. As críticas do presidente da Câmara se deram logo após a reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o Secretário Especial da Receita, Rogério Marinho.

O presidente da Câmara também não poupou críticas ao ministro da Justiça, Sérgio Moro. Maia afirmou que Moro está confundindo as bolas e o chamou de funcionário do presidente Bolsonaro. A indireta de Maia deixa a entender que Moro está tentando interferir no andamento do projeto anti-crime.

Rodrigo Maia afirmou que o projeto de Moro é fruto de um copia e cola do projeto apresentado pelo ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Para Maia não há nada de novo no projeto apresentado.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

COMENTÁRIOS 13

“Estamos com a porta aberta. Podem comprar”
   19 de março de 2019   │     12:45  │  17

por Aprigio Vilanova

O saudoso mestre do Rock n Roll brasileiro, Raul Seixas, parece que profetizou o momento que estamos vivendo e não foi há de mil anos atrás. Em um de seus sucessos, cheio de sarcasmo e ironia, Raul sentencia que a solução é alugar Brasil, que é tudo free e que vamos dá lugar para os gringos entrar que este imóvel está para alugar.

A visita oficial da comitiva do presidente Bolsonaro aos Estados Unidos nos mostra que o plano do novo governo é entregar tudo que for possível aos estrangeiros. O ministro da Economia, Paulo Guedes, em discurso aos convidados da Câmara de Comércio americana, disse que “estamos com a porta da loja aberta. Podem comprar.”

O evento na Câmara de Comércio é destinada a empresários americanos, Paulo Guedes citou o exemplo do leilão dos aeroportos e prometeu a venda do pré-sal para daqui a 3 ou 4 meses. A intenção do novo governo e do projeto ultraliberal de Gudes é reduzir a qualquer custo o estado brasileiro.

Temendo represálias vindas de Pequim, Guedes afirmou que o Brasil não entrará na guerra comercial envolvendo as duas maiores economias globais: EUA e China. É importante ressaltar que o governo chinês já havia alertado em comunicado oficial para a perda inerente caso o Brasil adote a orientação política de Washington.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil e absorve 36% da produção do agronegócio brasileiro, qualquer movimento pode gerar indisposição com Pequim e isto pode representar altos prejuízos a economia brasileira.

Bolsonaro e Trump

O presidente Jair Bolsonaro tem encontro agendado com o Presidente Donald Trump para o início desta tarde. Hoje (19) é o último dia da viagem oficial do governo brasileiro nos Estados Unidos.

*jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG   

COMENTÁRIOS 17

Missão oficial de Bolsonaro nos EUA começa neste domingo
   16 de março de 2019   │     20:19  │  12

por Aprigio Vilanova*

Está agendada para este domingo (17) a missão oficial do presidente Bolsonaro nos Estados Unidos da América (EUA). A viagem está cercada de dúvidas e a expectativa gira em torno do que será discutido com o presidente americano Donald Trump.

Na quinta (14), Bolsonaro voltou atrás aos ataques proferidos a China e afirmou: “Nosso grande parceiro é a China, em segundo lugar os Estados Unidos”. Bolsonaro afirmou que quer se aproximar dos Estados Unidos, mas sem esquecer que o principal parceiro comercial do Brasil é a China.

O recuo de Bolsonaro em relação as suas declarações sobre os chineses se deveu ao alerta vindo de Pequim sobre os riscos econômicos de o Brasil seguir a política externa estadunidense e romper acordos comerciais com a China.

Uma medida que já é dada como certa, nesta visita, é o acordo para uso da base de Alcântara pelos EUA, mas para concretização do acordo é necessária a aprovação no Congresso Nacional.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

COMENTÁRIOS 12

As armas e o império da ignorância
   14 de março de 2019   │     0:53  │  18

por Aprigio Vilanova*

O massacre na Escola Raul Brasil, em Suzano (SP), que resultou na morte de 11 pessoas, inclusive os responsáveis pelos atentados, acirrou o debate acerca do acesso a arma de fogo. A bancada da bala que tem interesse financeiro na liberação e atua como representantes da indústria bélica já começou a atuar.

A lógica utilizada por este grupo para defender a flexibilização da posse e do porte é de uma desfaçatez de fazer inveja aos vilões dos filmes mexicanos. O senador, Major Olímpio (PSL-SP), declarou que: “se os professores e funcionários estivessem armados isto não teria acontecido”.

O raciocínio utilizado por Olímpio precisaria evoluir muito para ser considerado simplista. A lógica utilizada é rasa e não precisa ser especialista em segurança ou nos estudos sobre a origem da violência para entender que este tipo de raciocínio beira a psicopatia.

O próprio presidente, Jair Bolsonaro, chegou a afirmar durante a campanha eleitoral que violência se combate com violência. Ora, afirmações como estas só reforçam a certeza que este pessoal não entende nem de segurança e nem de combate a violência, entendem de morte.

Seguindo esta lógica bastaria distribuirmos lápis, canetas e cadernos e resolveríamos o problema da educação brasileira. Sabemos todos que não é assim, o afrouxamento do acesso as armas só irá aumentar os assassinatos e, por conseguinte, os índices de violência.

Qualquer agente de segurança, com o mínimo de responsabilidade, orienta para evitar movimentos bruscos e não reagir durante um assalto. O criminoso age pelo efeito surpresa e isto é mais que suficiente para entendermos que o porte ou a posse de arma não resolve, muito pelo contrário.

Violência se combate com políticas públicas, com investimento em educação, combatendo a concentração de renda, com políticas de diminuição das desigualdades, com um projeto ambicioso de geração de emprego e renda.

Qualquer política que não encare o problema da segurança sob o prisma apresentado é cortina de fumaça para escamotear os reais interesses que são os de atender ao lobby da indústria bélica que lucra com as mortes, financia as guerras e as campanhas políticas, além de alimentar o narcotráfico.

Afinal de contas o mundo precisa de violência, conflitos, guerras e mortes para a indústria armamentista ser rentável.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

COMENTÁRIOS 18