O que mais dirigia o motorista de um milhão de reais?
   10 de dezembro de 2018   │     3:35  │  9

Aprigio Vilanova*

O embaraço causado após a divulgação do relatório produzido pelo Coaf, a partir do pedido do MInistério Público Federal (MPF), no qual identifica movimentação atípica de assessor ligado a familia Bolsonaro segue se avolumando sem os devidos esclarecimentos.

Até o momento não há, por parte dos Bolsonaros, nenhuma declaração que possa explicar o que realmente aconteceu. Os Bolsonaros se limitaram a postagens com declarações descontextualizadas nas redes sociais e a tergiversações em rápidas entrevistas para a imprensa. 

Há muito o que explicar. Como um motorista com salário de R$8 mil reais movimenta mais de R$1 milhão em um ano? Qual o motivo de quase toda a família (a esposa e duas filhas) do motoristaFabricio José Carlos de Queiroz, está com cargos nos gabinetes dos Bolsonaros?

Qual o valor deste empréstimo que Jair Bolsonaro alega ter feito ao motorista-assessor de Flávio Bolsonaro? Qual o motivo de outros sete assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro realizarem constantes transferências para a conta de Fabrício Queiroz? 

Como alguém que movimenta mais de R$1 milhão, em um único ano, pode precisar de um empréstimo de R$40 mil? Quanto foi movimentado ao longo destes 10 anos nos quais o ex-assessor trabalhou para Flávio Bolsonaro? 

Quanto já foi depositado na conta da esposa de Jair Bolsonaro ao longo destes anos? São muitas perguntas que aguardam as devidas explicações. Esta movimentação atípica indentificada pelo Coaf pode representar apenas a ponta do iceberg.

É esperar agora o ex-motorista Fabricio Queiroz aparecer para explicar a sua atuação que, pelo demonstrado, não se limitou a dirigir veículos para o então deputado Flávio Bolsonaro. Pelo que já veio a público, em declarações dos próprios Bolsonaros, a história tende a ganhar novas versões.

Mourão

O vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), declarou que é necessário que o governo Bolsonaro venha a pública esclarecer todas as dúvidas e explicar a origem da movimentação de R$1,2 milhão pelo ex-mororista de Flávio Bolsonaro. 

Mourão afirmou que o motorista também precisa vir a público para trazer a sua versão acerca da movimentação monitorada no relatório do Coaf. Disse Mourão:

— O ex-motorista, que conheço como Queiroz, precisa dizer de onde saiu esse dinheiro. O Coaf rastreia tudo. Algo tem, aí precisa explicar a transação, tem que dizer

Fabricio Queiroz foi soldado do exército e esteve sob o camando do próprio general Mourão em 1987. Mourão também fez crítica a postura do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que abandonou uma entrevista coletiva após ser questionado sobre o caso.

Moro

O futuro ministro da Segurança Pública e Justiça, Sérgio Moro, não quis se pronunciar sobre o caso, ao ser questionado por jornalistas Moro preferiu ficar em silêncio e com a mão acenou em gesto negativo a possibilidade de qualquer declaração.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

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O motorista e o cheque de R$ 24 mil para a esposa de Bolsonaro
   7 de dezembro de 2018   │     15:16  │  10

por Aprigio Vilanova*

O relatório divulgado pelo Controle de Operções de Atividades Financeiras (Coaf) aponta diversas transações atípicas envolvendo pessoas próximas a família Bolsonaro, inclusive a esposa do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

O Coaf aponta que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, o policial militar Fabricio José Carlos de Queiroz, movimentou mais de um milhão de reais em sua conta bancária. Entre as movimentações que levantaram suspeita está um cheque de R$ 24 mil destinado à Michele Bolsonaro, esposa de Jair  Bolsonaro.

As movimentações não se resumem ao ex-assessor de Flávio, mas atinge a filha, Nathalia Melo de Queiroz, que também já ocupou cargo até o mês passado no gabinete de Jair Bolsonaro. Até o momento o presidente eleito não se pronunciou sobre o caso e cancelou sua agenda alegando orientação médica.

 

O mapeamento do Coaf, que originou o relatório, foi feito a pedido do Ministério Público Federal (MPF) e serviu como base para a Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato, que acarretou na prisão de dez deputados da Assembléia do Rio de Janeiro.

Só confusão

A semana está agitada para o clã bolsonarista, brigas entre corregilionários, escandalo envolvendo o filho mais velho, Flávio Bolsonaro (PSL), e a esposa do presidente, Michele Bolsonaro, marcaram a semana.

Os desentendimentos entre os políticos do PSL, partido de Bolsonaro, vieram a público e revelaram que o ambiente no seio bolsonarista não anda nada agradável. As conversas em um grupo que o PSL mantém, entre os congressistas do partido, no aplicativo de mensagem whatsapp vazaram para a imprensa. 

As conversas mostram a troca de acusações envolvendo o filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, e a deputada eleita Joice Hansselman. Joice classificou Eduardo como infantil e Eduardo em resposta disse que ela é sonsa e com fama de louca.

Mas os desentendimentos não pararam por aí, Major Olimpio entrou na briga e acusou Joice de vazar para a imprensa os arquivos com os desentendimentos e, em entrevista, afirmou que não existe racha no partido uma vez que estão todos contra Joice.

A deputada respondeu em sua conta oficial no Twitter.

Reprodução da rede social na internet

A confusão envolvendo Joice e Eduardo indica que há uma disputa pela liderança do partido na Câmara dos Deputados. Joice diz que Eduardo é filho do presidente e será uma vidraça constante e Eduardo diz que Joice tem fama de louca na casa legislativa.

*Jornalista formado na Universidade Federal e Ouro Preto – MG

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Renan diz que MDB decidirá na última hora
   6 de dezembro de 2018   │     22:42  │  1

por Aprigio Vilanova*

O senador Renan Calheiros (MDB), reeleito para a sua quarta legislatura no Senado, já começa a causar desconforto no seio do bolsonarismo. Tudo isto devido ao fato das especulações em torno do seu nome para concorrer à presidência do Senado. 

As articulações para a disputa está movimentada, tanto nos bastidores, como nas redes sociais. Um dos principais descontentes e que articula, em uma frente, o movimento de contraofensiva é o filho de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, eleito para seu primeiro mandato no Senado.

Fala-se também que o senador eleito Cid Gomes (PDT), irmão de Ciro Gomes, é o outro arregimentador para enfraquecer a candidatura de Renan. Mas a tirar pela ligação histórica da família Gomes com o senador tucano, Tasso Jereissati, há de entender a quem pretende favorecer. 

Renan fez duras críticas, na sua conta no Twitter, ao senador Jereissati. Renan, em uma de suas postagens, chamou o senador tucano de patrimonialista e acrescentou que, meses atrás, Jereissati o telefonou e lhe fez um pedido.

 

As críticas ao senador cearense não pararam por aí. Renan esclareceu que a votação para manter o subsídio e beneficiar a Coca Cola representava, na prática, obrigar ao povo do Ceará de arcar com os custos da produção.

Na tradição da Casa, o partido com a maior bancada indica o candidato e costuma elegê-lo. Renan afirmou que não fará de tudo para ser o candidato do partido, ele é só mais um entre os 12 integrantes da bancada emedebista.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG  

 

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O que está por trás das denúncias contra o senador Renan?
   5 de dezembro de 2018   │     0:11  │  4

Brasília – A decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, favorável ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), não poderia ser diferente daquela que a Corte maior, ou seja, o Supremo Tribunal Federal, já havia decidido.

E o Supremo decidiu por rejeitar a denúncia, por ausência de provas.

De acordo com os delatores, o senador Renan teve despesas pessoais pagas pela empreiteira Mendes Júnior. Mas, no momento de provarem o que afirmavam, os delatores se perderam.

Pelas redes sociais, o senador alagoano comemorou a vitória sobre “mais uma mentira” contra ele.

Dentro do próprio MDB tem o grupo que o Eduardo Cunha liderou e que se opõe a Renan – o Cunha não gosta do senador e a reciproca é verdadeira. Quando disputou a presidência do Senado, Renan teve de primeiro derrotar o senador Luiz Henrique, que se insinuou como candidato do MDB.

É histórica a conversa entre Luiz Henrique e Renan, quando o senador catarinense já falecido tentou peitar o senador alagoano na disputa pela indicação na disputa da presidência do Senado.

Renan, eu nunca perdi uma eleição – disse o senador Luiz Henrique.

Eu já perdi (eleição). Olha…eu confesso que é doloroso… – respondeu o senador Renan.

Na disputa final deu Renan, que se elegeu e se reelegeu para a presidência do Senado, quebrando o tabu e batendo o recorder.

Novamente, o senador Renan se vê na vitrine por seu nome estar sendo citado como candidato a presidente do Senado. Dele mesmo ninguém ouviu que deseja disputar a presidência, mas a imprensa já se encarregou de divulgar que sim.

Numa entrevista recente à imprensa, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), que tem o seu nome citado como candidata à presidência do Senado, disse que se Renan for o indicado, ele terá o apoio dela.

E já se fala até no desconhecido senador David Alcolumbre, cuja única referência é a de empregar em seu gabinete a secretária parlamentar Denise Verbeling, que se casou com o futuro ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni (DEM).

Sendo assim, os ataques ao senador Renan devem ser entendidos exclusivamente como produtos da disputa pela presidência do Senado.

Somente por isso.

 

 

 

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Moro anuncia tucano derrotado no Ceará para o Ministério da Justiça
   4 de dezembro de 2018   │     15:20  │  8

Teophilo ladeado por Tasso Jeiressati (E) e Geraldo Alckmin (D) Reprodução Facebook

por Aprigio Vilanova*

Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça e da Segurança Pública, anunciou o general da reserva e candidato derrotado do PSDB  ao governo do Ceará, Guilherme Teophilo, para a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça.

Segundo Moro, o anúncio não tem viés político uma vez que o futuro secretario já fez sua desfiliação do PSDB.  Teophilo se desfiliou do PSDB em 19 de novembro e alegou razões pessoais para o desligamento.

A assessoria do PSDB do Ceará divulgou que o general havia demonstrado interesse em participar do futuro governo Bolsonaro ou assumir algum posto na prefeitura de Manaus, na gestão do tucano Artur Virgílio.

O candidato derrotado ao governo cearense já integra a equipe de transição do governo Bolsonaro e, em entrevista concedida a TV Jangadeiro, afirmou:

“É uma função que vai substituir o Ministério da Segurança Pública, já que nós vamos reduzir o número de ministérios. É uma função muito interessante”.

Além de Teophilo, Moro anunciou também o nome de Luiz Pontel, delegado da Polícia Federal (PF) e atual secretario Nacional de Justiça do governo Temer, para assumir o cargo de secretario-executivo do MInistério da Justiça, considerado o número 2 dentro da estrutura.

Pontel atuou como delegado da PF nas investigações das irregularidades no banco do estado do Paraná, que ficou conhecido como caso Banestado. Sérgio Moro foi o juiz deste processo e desde então acompanha a atuação do doleiro Alberto Yousseff. 

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

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