Quando a ficção vira realidade no Brasil
   7 de abril de 2020   │     7:41  │  14

Brasília –  Cenas patéticas de fazer inveja ao folclórico prefeito Odorico Paraguaçu, da ficção de Dias Gomes.

Sábado, 4. Tomada de cena 1:

O presidente Jair Bolsonaro desce do carro para cumprimentar o grupo de apoiadores formado por evangélicos, no Palácio da Alvorada, Ele diz que no seu governo “tem gente se achando”, mas que ele tem a caneta a pode demitir.

Os apoiadores respondem: “em nome de Jesus. Amém.”

Segunda-feira, 6. Tomada de cena 2:

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, arruma o seu gabinete, recolhe documentos da gaveta do birô, embala-os e se despede dos funcionários, depois de agradecer o apoio de todos.

Comoção geral; alguns funcionários pedem para que não se vá e outros choram. Todos acompanham o ministro até a saída, numa despedida melancólica.

O ministro vai à reunião convocada pelo presidente Bolsonaro, que tem a caneta, convencido de que será demitido. A reunião é tensa; Bolsonaro está possesso, dizem que espumava ao falar, mas suas argumentações para demitir o ministro eram frágeis e apenas deixavam evidentes o sentimento de inveja por ter perdido o protagonismo no comando da crise causada pela pandemia do Coronavírus.

Também tem inveja pelo acesso que o ministro tem à mídia, especialmente a Rede Globo.

Mas, eis que entra em cena o general Braga Neto e Bolsonaro ensarilha a caneta. O ministro da Saúde fica no cargo, o presidente fica sem a caneta e o verdadeiro Jesus – que não é aquele jesus “louvado” na porta do Alvorada -, salva o país mais uma vez.

Esse é o Brasil atual, com o governo se esforçando para transpor a ficção à realidade, e para mostrar que Odorico Paraguaçu existe e quer porque quer inaugurar o cemitério lotado de vítimas do Coronavírus.

 

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Preocupado com a reeleição, Bolsonaro volta a ameaçar ministro
   6 de abril de 2020   │     9:55  │  19

Brasília – Isolado na própria pandemia que criou para si, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, embora sem citá-lo diretamente

Perdido e tropeçando nos próprios erros, Bolsonaro se tornou a pauta negativa da imprensa mundial, que o isola e o desqualifica, apontando-o como o único mandatário no mundo a negar a pandemia de Coronavírus.

Mas, o presidente brasileiro não parece se importar, embora essa sua posição esteja levando o país para o futuro incerto. A crise causada por Bolsonaro será sentida quando a pandemia do Coronavírus passar e o governo perceber que os investidores sumiram.

Mas, o presidente não está preocupado. Sua preocupação é só com a reeleição, em 2022, por isso ele não se sensibiliza com os cadáveres que engrossam a estatística da pandemia que só ele, e o restrito grupo negacionista que o cerca nesse momento, insistem em desdenhar.

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Blog ultrapassa 1 milhão de visualizações. Agradeço a todos!
   5 de abril de 2020   │     15:14  │  36

Brasília – Neste domingo, 5, abro o parêntesis para registrar e agradecer a todos internautas que interagem com o blog. É que ultrapassamos a marca de mais de 1 milhão de visualizações, com mais de 30 mil comentários.

A expectativa era de que esse número somente seria atingido em meados de agosto e inicio de setembro, mas nesse primeiro trimestre deu-se o pique com a média de 4 mil visualizações por dia ( vejam quadro abaixo ).

Agradeço a todos pela participação.

 

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Por que Bolsonaro tem ciúme do ministro da Saúde?
   4 de abril de 2020   │     6:22  │  37

Brasília – Ofuscado pelo protagonismo do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no comando do combate à pandemia do Coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro está cada vez mais isolado e já não consegue disfarçar estar também se desesperando.

Mandetta é hoje o ministro mais importante e mais bem avaliado do governo, com aprovação três vezes maior que Bolsonaro, e isso tem irritado o presidente.

Mas, o presidente apenas colhe o que semeou. Ao optar por seguir o que Olavo de Carvalho diz, por orientação – imagine só -, do filho Carlos Bolsonaro, ele se isola cada vez mais e não é só no Brasil, mas no mundo.  A mídia internacional se encarregou de mostrar o presidente brasileiro como um homem incapaz, limitado e irresponsável.

A consequência imediata desse perfil nefasto de Bolsonaro, apresentado ao mundo pela mídia, é a fuga de capitais, a ausência de investidores e a disparada do preço do dólar, que atingiu o maior valor desde a criação do Plano Real.

Agrava-se o quadro a cada dia e o presidente não se dá conta de que protagoniza a própria agonia que vive. Numa entrevista a uma emissora de rádio, Bolsonaro deixou escapar o ciúme que tem do ministro Mandetta, ao dizer que espera que ele ( Mandetta ) “seje” – o correto é seja -, “mais humilde”.

O ministro não quis comentar a entrevista do presidente, mas quando a imprensa insistiu ele se saiu com essa resposta, que traz implícito um recado.

Quem tem mandato popular, fala. Quem não tem, como eu, trabalha.

Ou seja: se Bolsonaro não trabalha, que deixe o Mandetta trabalhar e não atrapalhe. O ciúme do presidente só tende a crescer, porque ele vê no ministro um concorrente na disputa presidencial em 2022.

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Governo “salva” os bancos e protela ajuda aos necessitados
   2 de abril de 2020   │     9:50  │  30

Brasília – Até agora, só os bancos foram beneficiados pelo governo nesse esforço para se combater a crise advinda da pandemia do Coronavírus.

O ministro da Economia,  Paulo Guedes, que “não sabe” como liberar o dinheiro para ajudar a população, ou seja, o cidadão comum, foi extremamente rápido na ajuda aos bancos.

São R$ 1 trilhão e 200 bilhões que os banqueiros podem usar, inclusive do depósito compulsório, para alavancar a economia, seja com empréstimos pessoais ou financiamentos às empresas.

É o maior montante da história liberado aos bancos.

Incrível é que, na outra ponta, ou seja, na ponta fraca formada pelos cidadãos comuns e mais necessitados, Guedes diz “não saber” como liberar a ajuda de 600 reais – em alguns casos, podendo chegar a R$ 1,2 mil, no máximo -, e tem criado uma sério de empecilhos, inclusive faltando com a verdade quando envolveu até o Supremo Tribunal Federal – que nada tem a ver com o caso.

Em seguida, Guedes também faltou com a verdade quando afirmou que é necessário o Congresso Nacional aprovar uma PEC ( Proposta de Emenda Constitucional )  para liberar o dinheiro sem incorrer em crime, no que foi desmentido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, David Alcolumbre.

Enquanto isso, o ministro parece querer ganhar tempo. Não se sabe para quê, se a fome de quem tem pressa não inclui os banqueiros. Ou seja, a máxima de Guedes é: farinha pouca, os bancos primeiro.

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