Fiesp pula do barco e vira comunista
   22 de maio de 2019   │     15:56  │  8

por Aprigio Vilanova*

Não precisa ser especialista em estratégia política para chegar a conclusão que a convocação do ato, por parte de Bolsonaro, em apoio ao seu governo é um erro que pode custar caro para o transcorrer do mandato.

O desgaste político que virá caso a manifestação seja um fiasco, e tem todos os ingredientes para ser, tende a enfraquecer ainda mas o poder do presidente da República. 

As principais organizações que mobilizaram as pessoas para derrubar a presidente Dilma Rousseff (PT) e permitiram a ascensão deste fenômeno difuso chamado bolsonarismo já não concordam com a realização do ato neste domingo.

MBL, Vem Pra Rua, a própria deputada do PSL, Janaína Paschoal, autora do pedido de impeachment de Dilma, o músico Lobão e, agora, a Fiesp vem para somar-se ao time dos que não apoiam os protestos pró-Bolsonaro. Vale lembrar que Paulo Skaff, presidente da Fiesp, declarou voto em Bolsonaro no segundo turno e com isso levou boa parte dos industriais paulistas.

A informação está publicada na coluna Painel S.A., assinada pela jornalista Joana da Cunha, na Folha de S. Paulo, desta quarta (22).Consta que será realizada no prédio da Fiesp, na avenida Paulista, encontro com micro e pequenas indústrias. 

Vale lembrar que estes movimentos (MBL, Vem Pra Rua) e a Fiesp foram os principais articuladores e financiadores dos protestos contra o segundo mandato de Dilma. A Fiesp chegou ao ponto de colocar em frente a sua sede um pato amarelo gigante que acabou virando símbolo dos manifestantes. 

O mais engraçado em todo este movimento que pretende-se articular, são os ataques que pessoas como: Janaina Paschoal, Kim Kataguiri, Lobão e agora o Paulo Skaf estão sofrendo. Estes já entraram para o rol dos comunopetistas inimigos de Deus, da família e da propriedade, isto claro segundo as milícias virtuais do bolsonarismo.

Aliás, a milícia digital bolsonarista impulsionada por bots (robôs) já atuam fortemente nas redes sociais para atacar personalidades que se coloquem contrários ao ato e para conferir uma adesão maciça que só se confirmaria se os robôs pudessem comparecer ao movimento.

Então aí está um dos piores cenários para o presidente eleito e seu governo: ver em menos de seis meses se esvair o apoio popular e confirmar o que as pesquisas de opinião já vem demonstrando. A arminha de Bolsonaro tem tudo para disparar contra o pé.

MP

Não é a toa que a convocação para o ato tenha se dado logo após a revista veja divulgar trechos do relatório de investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) contra o Zero Um da família Bolsonaro. As investigações, que estão apenas no início, a tirar pelo que já foi publicado, promete atingir em cheio o clã Bolsonaro. 

 *Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG 

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O autogolpe vem a galope
   20 de maio de 2019   │     13:51  │  12

por Aprigio Vilanova*

Autogolpe segundo a definição clássica é quando um governante eleito por meios legais articula um movimento para dissolver o Congresso ou para diminuir o poder do legislativo tornando-o impotente perante ao poder Executivo.

Segundo diversos especialistas esta campanha promovida pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) caminha neste sentido. A manifestação convocada por Bolsonaro e articulada no submundo da internet, com milícias virtuais e disparos de postagens por robôs, alimenta esta preocupação.

Durante a campanha presidencial, o general Hamilton Mourão, vice na chapa de Bolsonaro, chegou a afirmar que não descartava a possibilidade de um autogolpe com apoio das Forças Armadas em caso de anarquia. 

O cerco ao Judiciário e ao Legislativo estimulado por Bolsonaro é sinal perigoso para a normalidade institucional. Muitos dos grupos que o apoiaram já pularam do barco e não corroboram com a movimentação articulada pelo Palácio do Planalto.

O MBL e o Vem Pra Rua, dois dos movimentos que articularam as manifestações para derrubar a presidente Dilma Rousseff (PT), não embarcaram na movimentação atípica do Executivo. A deputada estadual, Janaína Paschoal (PSL-SP), autora do pedido de impedimento de Dilma, também não embarcou e, desde então, vem fazendo críticas duras ao posicionamento de Bolsonaro. 

Com esta postura, Bolsonaro conseguiu desagradar todos os lados. Aliados de primeira hora do bolsonarismo já não escondem a insatisfação e o arrependimento. O astrólogo e guru, Olavo de Carvalho e o cantor símbolo da ascensão da direita, Lobão, também pularam do barco. 

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

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Há sete anos professores e estudantes estavam nas ruas e Bolsonaro aonde estava?
   18 de maio de 2019   │     9:18  │  12

Estudantes e profissionais da educação vão às ruas em Ouro Preto contra os cortes na Educação

por Aprigio Vilanova (texto e fotos)*

A estratégia adotada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e por suas milícias digitais aposta na desinformação da população. As manifestações de estudantes e professores que ganharam as ruas do todos os estados brasileiros contra os cortes no orçamento da educação revelaram como funciona.

A tática adotada é desqualificar o movimento, as pessoas que o construíram. Bolsonaro tem a seu favor a completa desinformação, o desinteresse político e a pouca criticidade de seus seguidores. A opção escolhida para deslegitimar o movimento foi o de associá-lo ao Partido dos Trabalhadores (PT) e disparar uma enxurrada de vídeos na tentativa de associar as universidades brasileiras a imagem de antro de depravação.

Outra prática recorrente da tática bolsonarista e sua orquestrada milícia digital é a de trazer informações da época dos governos petistas de Lula e Dilma na tentativa de justificar suas atitudes. Uma enxurrada de recortes de notícias de cortes no orçamento da Educação promovidos por Lula e Dizem ganharam as redes.  Mas ele não foi eleito para ser diferente, para fazer diferente do PT?

A questão é que estes cortes promovidos nas gestões petistas vinham sempre acompanhadas de manifestações e greves gerais de professores, técnicos administrativos e estudantes. Em 2012, após Dilma anunciar os tais cortes, os estudantes e profissionais da educação saíram às ruas para protestarem e deram início a um movimento grevista que seguiu por meses.

Outra questão é que jamais tínhamos assistido declarações de um presidente da República se referindo aos seus concidadãos como idiotas úteis, massa de manobra numa tentativa desesperada de deslegitimar o movimento e conferir uma manobra orquestrada pelo PT. Não foi e não será, o movimento é uma luta ampla em defesa da educação que se repete sempre que algum governante promove cortes no orçamento do ministério da Educação.

Em 2012, os estudantes e profissionais ligados a educação estavam nas ruas de todo o país lutando contra os cortes, exigindo melhores condições de trabalho e valorização da carreira. Aonde estava Bolsonaro? Bolsonaro estava sendo autuado por fiscais do Ibama por prática de pesca amadora ilegal na Estação Ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

 

 

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Boulos: “Bolsonaro está acuado pelo seu passado, pelos seus fantasmas”
   16 de maio de 2019   │     20:34  │  9

por Aprigio Vilanova*

O filósofo, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e candidato à presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSol), em 2018, Guilherme Boulos, está em Maceió para cumprir agenda com movimentos sociais de Alagoas e concedeu entrevista exclusiva ao Blog do Bob. Boulos tratou de vários temas: governo Bolsonaro, reforma da Previdência, assassinato de Marielle Franco, investigação de Flávio Bolsonaro.

Sonho

O sonho que eu tenho é que o nosso país possa encontrar todas as suas possibilidades e que o nosso povo possa ser respeitado em toda sua diversidade, sonho com um Brasil igual, com igualdade social, igualdade de oportunidades, que o Brasil possa ser no mundo a nação que ele tem potencial para ser, não lamba botas de nenhum outro país e que nosso povo, aqui, possa encontrar justiça e igualdade. Aqui, seis bilionários tem mais do que a metade da população, em termos de renda, patrimônio, riqueza. Nosso país precisa passar por uma mudança histórica profunda na qual as populações oprimidas possam ter voz, possam ter decisão sobre o processo político, para que a gente conquiste igualdade de verdade. É com isso que eu sonho.

Pesadelo

O pesadelo é precisamente a realidade que a gente vive, realidade de retrocessos, perda de direitos. Pesadelo para uma parte importante da povo brasileiro que corre o risco de não ter futuro, de não ter aposentadoria com esta reforma da previdência covarde, criminosa. Corre o risco de não ter garantido o direito a educação a esta jovem geração, com cortes cada vez mais fortes e com a disputa do sentido da educação. Querendo uma educação domesticada, sem pensamento crítico, que não forme para a cidadania, para a vida, mas que só forme para uma engrenagem, uma pecinha no mercado trabalho. A disputa que nós temos hoje é vencer essa realidade de pesadelo de um governo antipovo, de um sistema antipovo. O povo brasileiro precisa acordar deste pesadelo.

Movimentos dos estudantes pela educação

O que se expressou nas ruas nesta quarta, neste dia 15 de maio, foi uma virada. 2019 parecia já está destinado a ser o ano do atraso, do retrocesso, o ano da imposição de uma política desastrosa para o povo brasileiro, degradante para a soberania nacional, perigosa para a nossa democracia e sem grandes reações do povo. Foi um despertar, um despertar em torno da educação. Muito simbólico que tenha sido conduzido por jovens estudantes, por uma geração que nasceu nos anos 2000. Isso é muito bonito, isso é muito forte. Que o presidente da República tenha chamado estes jovens de idiotas e imbecis só mostra a sua desqualificação, a sua idiotice para governar um país como o Brasil. Agora o que eu acho de mais simbólico que aconteceu nesta luta é que o medo começou a mudar de lado. Nós tínhamos uma série de pessoas que estavam dispostas a lutar por direitos que estavam com intimidadas, acuadas, por um discurso autoritário, um discurso de ódio, ameaçador. Agora o medo foi para dentro do Palácio do Planalto, foi para o ministro (Abraham Straumbh) acuado na Câmara dos Deputados, foi para o Bolsonaro se refugiando vergonhosamente no Texas, para lá foi o medo. As ruas demonstraram uma alegria, esperança, coragem. Foi muito bonito.

Bolsonaro e caso Flávio Bolsonaro

O Bolsonaro, sem dúvida, é o presidente mais desqualificado da História do Brasil. Cada vez que ele abre a boca, ele envergonha a nação, ele gera espanto mundo afora, pelo seu despreparo, pela sua desqualificação, pela sua agressividade baixa, vil. No momento como esse, ele está acuado, o filho dele teve o sigilo quebrado, o Queiroz, braço direito dele, também. É possível que a gente venha a descobrir, a partir disso, de onde veio o dinheiro que para inventar tanta mentira e fazer disparo pelo Whatsapp na eleição. É possível que essa investigação mostre que aí tem lavagem de dinheiro da milícia do Rio de Janeiro. O Bolsonaro está acuado pelo seu passado, pelos seus fantasmas. Pelo que ele fez no passado e não apenas os funcionários fantasmas, a filha do Queiroz foi funcionária fantasma dele, a própria Wal que eu denunciei no debate na Rede Bandeirantes, mas agora com uma vinculação mais perigosa, possíveis ligações com o assassinato da Marielle Franco. Agora, do mesmo jeito que Brasil quer saber, ele quer esconder e a forma que ele encontra é querer demonstrar uma coragem que é totalmente falsa. Bolsonaro é um medroso, fugiu dos debates e agora foge da verdade assim como o diabo foge da cruz. 

Reforma da Previdência  

Nós temos que chamar as coisas como elas realmente são, não se trata de uma reforma da Previdência, se trata de um projeto de destruição do sistema de previdência pública do Brasil. Este é o projeto de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes (ministro da Economia). De que maneira? eles colocando idade mínima, aumentando o tempo de contribuição, endurecendo todas as regras para aposentadoria pelo INSS, eles vão fazer com que a geração que está entrando hoje no mercado de trabalho, ainda mais em um mercado totalmente informal com 37 milhões de trabalhadores na informalidade. Ou seja, para conseguir o tempo de contribuição é muita mais difícil. A nova geração que tá chegando vai olhar e dizer: – eu não vou conseguir me aposentar desse jeito, o que eles querem é gerar uma desistência do INSS ou induzir os trabalhadores ao inviabilizar as condições do INSS irem para outro caminho. É  velha história de criar o problema para vender a solução e a solução a ser vendida chama-se: capitalização. E o que é a capitalização? É, ao invés de fazer a previdência pelo INSS como é hoje, pelo sistema de seguridade social que garante o direito de aposentadoria a todos, que garante benefícios, que garante pensão por morte, garante aposentadoria por invalidez, garante o BPC para os trabalhadores que não tem condições. Ao invés disso faz nos bancos privados que vão cobrar taxas de administração e assim ganhar bilhões com isso e sem garantia para o trabalhador. Deixa de ser direito e passa a ser privilégio de quem pode pagar. Este é o sentido da reforma que eles querem fazer, não é cortar privilégios coisa nenhuma, não cortaram nem nos militares. Se fosse para cortar privilégios teria que mexer nas grandes empresas, nas generosas desonerações fiscais com a previdência, com as dívidas bilionárias que tem com o INSS. Não é isto que está em jogo, o que está em jogo é destroçar a previdência pública e o sistema de seguridade social e entregar de mão beijada para os bancos. Esta é a missão do Paulo Guedes que não a toa é um banqueiro. 

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

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Flávio Zero Um: o corretor de imóveis de sucesso
     │     10:59  │  6

Reprodução da internet

por Aprigio Vilanova*

O cerco do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) ao senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) está se fechando. A revista veja teve acesso ao documento do MP-RJ que sustenta o pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal do Zero Um da família Bolsonaro e mais 94 pessoas e empresas ligadas ao senador.

A investigação do MP-RJ encontrou indícios que Flávio Bolsonaro utilizou a compra e venda de imóveis para a prática de lavagem de dinheiro. No documento, os promotores afirmam que, entre 2010 e 2017, o filho do presidente, a época deputado estadual, lucrou mais de R$3 milhões com as transações de 19 imóveis.

Segundo o MP, o modus operandi consistia na compra subfaturada e na venda superfaturada dos imóveis. O MP entende que existia algo recorrente nos negócios: os imóveis adquiridos estavam sempre com valores abaixo dos praticados e vendidos com cifras acima do mercado imobiliário. Em alguns casos, Flávio Bolsonaro chegou a lucrar mais de 200% em menos de um ano.

A 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro autorizou a quebra do sigilo atendendo pedido do MP-RJ. No pedido, o MP afirma que a prática tem fortes indícios de que o intuito foi o de “simular ganhos fictícios com a finalidade de encobrir o enriquecimento ilícito decorrente de desvios de recursos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)”.

Entre as pessoas que tiveram seus sigilos bancários e fiscais quebrados, estão: Fabrício Queiroz, Márcia Aguiar (esposa de Queiroz), Nathália Queiroz (filha), Evelin Queiroz (filha), todos funcionários lotados no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. O MP afirma ter encontrado, no gabinete de Flávio, indícios da prática de peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG   

 

      

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