Ford já se foi e a General Motors está arrumando as malas
   12 de janeiro de 2021   │     18:43  │  35

A Ford sobreviveu a duas guerras mundiais, ao colapso da Bolsa de Valores de Nova Iorque com a crise mundial, em 1929, e se manteve no Brasil produzindo automóveis, caminhões e até borracha extraída no Acre e destinada à produção de pneumáticos.

Foram 100 anos de história, que termina agora no governo Bolsonaro, de forma melancólica com o fechamento simultâneo de três fábricas, demitindo 5 mil funcionários. A Ford sobreviveu a duas guerras mundiais, mas não sobreviveu ao governo Bolsonaro.

A direção da Ford preferiu gastar 10 bilhões de reais em indenizações  trabalhistas, à permanecer no Brasil sem perspectivas e com previsões pessimistas para a economia gerida por um governo desastrado e incompetente.

Um século de história que se apaga melancolicamente, mas, o que é uma catástrofe para o Brasil, é alvíssaras para a Argentina e o Uruguai, que terão as suas unidades da Ford em expansão gerando empregos e renda.

O pior é que o fechamento das fábricas da Ford no Brasil – São Paulo, Bahia e Ceará -, tende a ser o fio do novelo que vai arrastar também a General Motors, que já anunciou estar igualmente de partida. A política econômica do governo Bolsonaro, ilustrada no “crescimento em Vê”, é assim mesmo: o “VÊ” de vem e vai embora, só com passagem de ida.

O último a sair, por favor, apague a luz.

 

 

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Lema agora é: Brasil abaixo de tudo e o Diabo acima de todos
   11 de janeiro de 2021   │     19:00  │  24

Vamos relembrar aquela reunião dos ministros com o presidente Jair Bolsonaro, em abril do ano passado, cujo teor das discussões só veio ao conhecimento público porque o Supremo Tribunal Federal determinou que se divulgasse tudo ao público.

Nessa reunião o ministro da Economia, Paulo Guedes, referindo-se ao Banco do Brasil, disse que “tem de vender essa porra”. Lembram-se? Pois bem, a trama sórdida para destruir o BB está em prática, com o fechamento de mais de 360 agências e a demissão de 5 mil bancários.

Um dos interessados em comprar o Banco do Brasil é o Bank of América, que pagaria com papéis podres oriundos da crise de inadimplência que atingiu o sistema financeiro norte-americano, em 2009. Mas, ainda assim, o Bank of América exige a “casa limpa”, para não ter problemas com causas trabalhistas, nem com os acionistas.

Guedes é o ministro da Economia que não tem nenhum plano para a economia; até agora o que fez foi mandar o Banco do Brasil vender ao BTG Pactual, banco fundado por ele, Guedes, por 300 milhões de reais, uma carta de crédito que vale 3 bilhões de reais.

O ministro disse que o BB não iria mais ficar com ‘papéis podres”, mas mentiu porque, em seguida, autorizou o BB a comprar ‘papéis podres”, do Banco Votorantim.

Esse é o plano de Guedes, destruir o Banco do Brasil, para fortalecer o sistema bancário privado e, quem sabe, permitir que ele crie outro banco ou, quem sabe novamente, recompre ou volte ao banco que fundou, o BTG Pactual, com a carta de crédito de 3 bilhões de reais abiscoitada do Banco do Brasil.

Pergunta-se como alguém vende um banco que, além de desempenhar um papel social, ainda dá lucro de 13 bilhões de reais em plena pandemia causada pelo coronavírus?!

Só pode ser o lema Brasil abaixo de tudo e o Diabo acima de todos.

 

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Biden indica crítico de Bolsonaro para cuidar da América Latina
   10 de janeiro de 2021   │     20:13  │  9

O presidente eleito, Joe Biden, nomeou o colombiano, naturalizado norte-americano, Juan Gonzalez, para cuidar dos interesses dos Estados Unidos na América Latina.

Gonzalez fez parte do governo Barack Obama e é crítico mordaz do presidente Jair Bolsonaro; a sua indicação para o cargo sinaliza que o novo presidente norte-americano deseja marcação implacável ao governo brasileiro, principalmente no que se refere à política ambiental na Amazõnia.

O governo brasileiro engoliu atravessado a indicação de Gonzalez e já sabe que será obrigado a rever a sua política para o meio-ambiente, afim de evitar ser penalizado com restrições aos produtos brasileiros.

De fato, é bom que Bolsonaro reveja a sua postura negacionista sobre o meio-ambiente, porque tem países cobiçando o mercado de carne e soja ainda dominado pelo Brasil.

Digo ainda dominado pelo Brasil porque, se Bolsonaro não mudar o discurso e a prática, a punição é certa.

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Onda nazista ameaça a democracia e a eleição em 2022, no Brasil
   9 de janeiro de 2021   │     21:45  │  22

O que aconteceu no Capitólio invadido por um grupo de nazistas é o recado do que poderá acontecer no Brasil, com o grupo nazi-fascista bolsonarista ameaçando o processo eleitoral em 2022.

Ao contrário dos nazistas norte-americanos, que condenam o voto impresso, os nazi-fascista brasileiros condenam a urna eletrônica, que é o mais seguro sistema de votação em vigência – ainda que possa registrar falhas pontuais.

É mentira que o sistema esteja susceptível às fraudes, mas o próprio presidente Jair Bolsonaro insiste em lançar dúvidas, sem apresentar provas, o que deve ser entendido como o combustível para alimentar esse grupo nazi-fascista, que vê no presidente a figura do comandante.

Ainda que o presidente possa não simpatizar com o nazi-fascismo, o que se tem visto são os seus seguidores comprometidos com a doutrina de HittlerMussolini.

Não foi a primeira vez que o Capitólio foi atacado, mas foi a primeira vez que foi atacado por um grupo que prega a supremacia branca e desdenha da morte de judeus durante a II Guerra Mundial, além de tentar dar um golpe de estado.

É preciso que a sociedade brasileira sadia, que repudia o nazismo e o fascismo, se una para desde já se prevenir contra a possível tentativa de golpe no Brasil. Assim como aconteceu na invasão do Capitólio, com manifestante comemorando as seis milhões de mortes de judeus, pelos nazistas, no Brasil pode ser a comemoração da morte de negros e de quem se opõe as ideias desse grupo sedento de sangue.

Chegou o momento de a Ordem dos Advogados do Brasil, de os oficiais superiores das Forças Armadas e da sociedade civil sadia se organizarem desde já para barrar a tentativa de golpe que se prenuncia, caso Bolsonaro não se reeleja.

Não deixem para reagir em cima da hora, porque o saldo das perdas pode ser ainda mais traumático.

 

 

 

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Siga em paz, meu primo-irmão
   8 de janeiro de 2021   │     12:02  │  17

Poderia começar com era uma vez, mas esse era uma vez se restringe ao bairro, que surgiu no entorno da paróquia de Nossa Senhora do Bom Parto, que por sua vez surgiu no entorno da Fábrica Alexandria, fundada pelo pai do Zagalo – e, sem dúvida que por isso, afeito à arte do futebol.

Espremido ao pé da barreira, o bairro se expandiu para a Gruta do Padre, o Mutange, na direção Oeste, e ao Leste para a Cambona. No topo da barreira, ao Norte, tinha a Vila Operária e o Alto da Conceição.

E como não poderia deixar de ser nesse bairro surgido no entorno de uma fábrica fundada pelo pai do Zagalo, o futebol era a principal diversão revelando craques, uns aventurando-se e fazendo história no CSA e no CRB, iguais ao Eromir, Gernan, Machado, Benvindo, Derivaldo, Petrúcio, e dois ainda mais famosos como o Paranhos e o Ronaldo Brito.

Embora surgido no entorno de uma fábrica de tecidos, nem todos no bairro eram operários; uma parte sobrevivia como prestador de serviços de alfaiataria, sapataria, barbearia e mecânica; outra parte era negociantes donos de vendas ou trabalhava no comércio, no centro da cidade.

Quando no bairro do Bom Parto alguém necessitava ir ao centro da cidade dizia que “ia para Maceió”, tal a independência do bairro, com feira livre ao sábado, bailes nos dois clubes sociais e a famosas festas natalinas, onde se revelou um locutor com voz de barítono animando a todos, e que também era o goleiro do Renner, o time do Ciço Cabeção.

O nome desse goleiro e também locutor era Ailton Carlos de Lima Villanova, filho do “mestre Olivério“.

No bairro também residia o jornalista Batista Pinheiro, diretor da Rádio Gazeta, recém inaugurada, e que descobriu naquele locutor de serviços de som das festas natalinas promovidas pela paróquia de Nossa Senhora do Bom Parto, o talento nato à dicção fácil e vozeirão.

Nascia, assim, o jornalista Ailton Villanova, que tantas vezes foi tentado a se transferir para centros adiantados e não cedeu, optando por ficar em Alagoas. Mas, não era apenas a voz o dom que a criação lhe premiou, e sim também o dom da narrativa que ele inteligentemente transpunha à escrita.

Não, não diga que era uma vez um talento porque talento não morre; diga que era uma vez uma vida, que ficará eternizada na história, porque exalou talento.

Siga em paz, meu primo-irmão, porque em breve nos juntaremos novamente.

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