Defesa de Temer diz que denúncia contra ele é golpe
   5 de outubro de 2017   │     0:40  │  64

Brasília – Depois de tudo o que foi revelado pelo empresário Joesley Batista, amicíssimo de Temer e privilegiado com acesso livre ao palácio pelas portas dos fundos a qualquer hora, soou como chacota a defesa do presidente considerando golpe a denúncia contra ele.

Na delação, o empresário revelou que comprou os deputados que votaram favoráveis ao impeachment da presidente Dilma e que tudo foi combinado entre ele, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, com o aval e a orientação de Temer.

Interessante é que todos os envolvidos na trama estão presos ou denunciados, entre eles, obviamente, Temer e o senador Aécio Neves, que nutria a expectativa de o Tribunal Superior Eleitoral cassar a chapa DilmaTemer e ele assumir a presidência.

Temer entrou para a história pela porta dos fundos, porque chegou à presidência sem voto, e ficará enlameado na história por ser o primeiro presidente a ser denunciado como chefe de uma organização criminosa em pleno exercício do mandato.

E tudo isso com robustas provas, pois só o fato de receber Joesley tarde da noite para orientar a compra do silêncio de Cunha e do lobista Lúcio Funaro, por si só, já o condena.

Mas, tudo indicada que existe mesmo o consenso para mantê-lo no cargo, ainda que permaneça sangrando e sem direito a comparecer à solenidade aberta ao público.

Isso porque, na contabilidade política, é mais compensador manter o Temer como boi de piranha – e ele já confirmou que aceita o papel -, para fazer as reformas impopulares, que um deles – tucano ou aliado -, assumir o papel a arcar com o ônus eleitoral.

Esse é o quadro político vigente, mas, como nada é gratuito, vai custar mais R$ 1 bilhão e mais o perdão do REFIS.

Simples assim…

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Os podres poderes agonizam mas não morrem
   4 de outubro de 2017   │     5:00  │  42

Por Aprigio Vilanova

O impedimento da presidente Dilma Rousseff revelou o esfacelamento das estruturas do estado democrático nacional. Os poderes constituídos, cada dia mais, revelam o esgotamento do modelo e escancaram a necessidade de um novo pacto sob novos prismas.

A sociedade brasileira, a reboque dos poderes da República, acompanha o agravamento da realidade a que estamos inseridos. O modelo que agoniza mas não morre alimenta-se da corrupção institucionalizada há séculos.

É assim desde que Dom João VI enganou Napoleão, fugiu de Portugal e desembarcou no Brasil com a Corte e a burocracia do Império português, entre 10 e 15 mil pessoas. Assim nasce o Estado no Brasil, feito para atender interesses do rei. 

Desde então a máquina pública serve para interesses privados e os poderes constituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário) vivem atolados no mar de desconfiança, a população não acredita que destas instituições possa sair alguma alternativa para um projeto de nação.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizou pesquisa, em 2016, e 59% dos entrevistados disseram confiar nas Forças Armadas, 57% afirmaram confiança na Igreja Católica, 37% na imprensa escrita, 36% no Ministério Público, 34% nas grandes empresas e 33% nas emissoras de TV.

Do total de entrevistados 29% acreditam no Poder Judiciário e 25% na polícia, seguido pelos sindicatos com 24% e pelas redes sociais 23%. Apenas 11% da população acredita na Presidência da República, 10% no Congresso Nacional e 7% nos partidos políticos.

Só mesmo em um país com uma população de desesperados encontra-se soluções para o presente/futuro recorrendo ao pior do passado. Uns querem monarquia, outros bradam por ditadura militar.

Para estes que pedem militares no poder a história não serviu e continua não servindo para nada. É pura ignorância, analfabetismo político e histórico. Os militares permaneceram a frente do país por mais de vinte anos e engana-se quem acredita que não houve corrupção.

Não só houve como foi proibida de ser noticiada.

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Por que Temer é o governo que balança, mas não cai?
   3 de outubro de 2017   │     1:42  │  43

Brasília – O deputado Bonifácio de Andrade (PSDB-MG) ainda não assumiu a relatoria do processo que pede o afastamento do presidente Temer e dos ministros Moreira Franco e Elizeu Padilha, mas já se pode adiantar que o parecer dele será pela rejeição da denúncia na Câmara.

É isso o que foi acertado pelo senador Aécio Neves, que, em troca, quer o apoio do governo para derrubar no Senado a decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal afastando-o do cargo e mantendo-o em prisão domiciliar à noite.

A situação do Aécio gerou complicação para o Senado, que não sabe se decide antes ou depois do Supremo julgar o recurso. E também porque, no caso do hoje ex-senador Delcídio Amaral, o Senado decidiu pela punição e como agir diferente com o Aécio?

Ninguém acredita que Bonifácio de Andrade vai produzir um relatório favorável ao afastamento de Temer, de Moreira e Elizeu. Claro que Bonifácio vai dar o parecer pela recusa da denúncia, livrando os três.

Assim como o Senado, diferente do que aconteceu com Delcídio, vai livrar o Aécio, ainda que se utilizando de dois pesos e duas medidas.

Mas, como vai ficar depois?

O presidente da República denunciado como chefe de uma organização criminosa que atuava na Câmara; um senador denunciado por crime de corrupção? Isso, sem falar no pedido da procuradora-geral Raquel Dodg, para ouvir Temer sobre a Medida Provisória dele – ou seja, no exercício da presidência -, que renovou a MP beneficiando empresas portuárias, notadamente a RODRIMAR, que atua no porto de Santos.

Com o mais baixo índice de aceitação já registrado na República, só resta ao Temer a certeza de que ele é o governo que balança, balança, mas acha que não cai.

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Lula cresce nas pesquisas e Temer fica menor, como mediu Renan
   2 de outubro de 2017   │     0:24  │  58

Brasília – Quando o senador Renan Calheiros disse que o Temer é menor do que a cadeira de presidente da República, o Datafolha ainda não havia divulgado o resultado da mais recente pesquisa que dá o presidente com apenas 3% de aceitação, o menor percentual de aceitação de um presidente.

A pesquisa Datafolha foi divulgada na noite do sábado, 30, e Renan definiu o presidente na quarta-feira, 27, através do seu twitter:

– “Infelizmente, temos no Brasil um presidente sem legitimidade, sem base social, menor do que a cadeira que ocupa. Isso preocupa a todos porque Temer não tem dimensão institucional”, disse Renan.

O resultado da pesquisa do Datafolha aguçou a apreensão do governo e do PSDB, e não é apenas pelo crescimento do Lula, que vem aumentando o percentual de votos apesar de toda a carga de denúncias contra ele.

Além do Lula, preocupa ao governo e ao PSDB o crescimento do deputado Jair Bolsonaro, que rebaixou a ex-senadora Marina Silva para terceiro lugar e retirou o governo e o PSDB da disputa no segundo turno, se a eleição para presidente fosse realizada agora.

A colocação do Lula nas pesquisas, que é mantida na liderança apesar dos bombardeios da Operação Lava Jato, levou o seu principal desafeto político, o prefeito de São Paulo, João Dória, a reconhecer na entrevista à Folha de S. Paulo que o Lula influenciará a eleição presidencial podendo ou não ser candidato, ou seja, disputando ou não diretamente a eleição.

Que fenômeno é esse? Como explicar o Lula mantendo-se na frente das pesquisas se o PT está desgastado devido às denúncias que atingem diretamente as lideranças do partido – quase toda ela presa?

Isso, sem contar com a carga de notícias negativas contra o Lula e que se repetem há mais de três anos. E sem contar também com as revelações do ex-ministro Antônio Palocci. O que está acontecendo com a política brasileira?

Alheio às adversidades que só engrossam, o governo dispõe de R$ 1 bilhão e mais da reforma do REFIS para comprar os votos e rejeitar a denúncia contra ele por organização criminosa, embora no Senado, para onde a reforma do REFIAS terá de ir à votação final, haja rejeição à proposta que inclui o dinheiro da corrupção no bolo da negociação.

A tendência no Senado é rejeitar, o que implica no retorno da proposta da reforma do REFIS à Câmara, e isso não agrada à base fisiológica disposta a barra a denúncia, mas, se e somente se for atendida nos seus pleitos.

Claro, se o deputado Bonifácio de Andrade for mantido na relatoria, o parecer dele já está pronto e a conclusão será pela rejeição da denúncia. É bom lembrar que o Bonifácio de Andrade é indicação do senador Aécio Neves.

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Aécio indica relator para rejeitar denúncia contra Temer na Câmara
   29 de setembro de 2017   │     0:55  │  131

Brasília – Mesmo em retiro noturno forçado devido à decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal que o afastou do mandato, o senador Aécio Neves indicou o deputado Bonifácio de Andrade (PSDB-MG) relator da Comissão de Constituição e Justiça que vai julgar o pedido para processar o presidente Michel Temer e os ministros Moreira Franco e Elizeu Padilha por formação de quadrilha.

O Palácio do Planalto comemorou, mas o clima no PSDB na Câmara só piorou.

O deputado Ricardo Tripoli, líder tucano na Câmara, não quer que o PSDB assuma a relatoria para evitar mais desgaste e isso significa que a missão de Bonifácio de Andrade é derrubar a denúncia a qualquer custo. Isso quer dizer também que as provas não valerão diante do acordo de mão dupla: Aécio ajuda Temer a derrubar a denúncia e o Temer o ajuda a se livrar do processo no Supremo, que está no Senado.

Dois outros fatores extras contribuíram e o líder tucano não disfarça o constrangimento. Foram esses:

1)A operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal em Rondônia, para investigar os filhos e enteados do senador Romero Jucá, líder do governo no Senado, por desvio de R$ 35 milhões através do Programa Minha Casa, Minha Vida.

2)A pesquisa que mostrou Temer com a mais baixa popularidade desde 1987, com o governo Sarney.

Ou seja: o ônus futuro pelo apoio não compensa o bônus momentâneo.

O processo pedindo o afastamento de Temer começa a ser discutido na próxima semana e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, prevê que estará concluído e votado no dia 25 de outubro.

O quadro é mesmo complicado em todos os sentidos. Vejamos:

1)O Supremo Tribunal Federal ignorou o Artigo 53 da Constituição, que só admite a prisão de políticos por crime inafiançável, e decretou a “prisão domiciliar noturna” para o senador Aécio Neves. Recorde-se que, com o aval do próprio Senado, o Supremo decretou a prisão de um senador, o Delcídio Amaral, que foi cassado.

E no caso do Delcídio, muitos senadores, iguais ao senador tucano Cássio Cunha Lima, fazem hoje a “mea-culpa” ao comentar a decisão contra o Aécio.

2)O presidente da República está denunciado por formação de quadrilha, com gravíssima acusação por parte do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que identifica Temer como o chefe da quadrilha que atuava na Câmara.

De um lado um presidente da República e do outro lado um senador segurando a lanterna dos afogados. O senador garante salvar o presidente na Câmara e o presidente garante salvar o senador da sentença do Supremo, no Senado.

Isso, apesar de o senador Romero Jucá, líder da tropa de choque governista no Senado, está ocupado com a operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal contra a família.

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