O discurso da morte
   25 de março de 2020   │     21:58  │  26

Brasília – A consequência nefasta do discurso desastrado do presidente Jair Bolsonaro chamando a pandemia devastadora do Coronavírus de “gripezinha e resfriadinho”, foi a derrocada do ministro da Saúde, Luiz Fernando Mandetta.

Apegado ao cargo, Mandetta aceitou ser humilhado e baixou a cabeça. Na semana passada ele criticava os cariocas por encherem as praias e desobedecerem a determinação para se isolarem em casa; nesta quarta-feira, 25, defendeu o pronunciamento de Bolsonaro mandando o povo sair às ruas e desafiar a pandemia.

Afinal, o que o ministro da Saúde quer?

Ex-deputado federal que não conseguiu se reeleger, Mandetta ganhou o emprego de ministro da Saúde e, quem sabe por isso, aceita tudo o que vier do presidente, inclusive as suas aberrações. O ministro perdeu a credibilidade, embora se mantenha com a aparência – apenas aparência -, de comandante da reação contra a pandemia.

O ministro da Saúde já não é mais defensor intransigente da quarentena.

A exceção no governo são os generais. O vice-presidente, general Hamilton Mourão, depois de observar que Bolsonaro pode ter “se expressado de uma forma que não seja a melhor”, reafirmou a defesa do isolamento e distanciamento social.

Ou seja: fique em casa.

A fala do presidente repercutiu negativamente em todos os segmentos, e não apenas na classe médica, porque a pandemia do Coronavírus não é um “resfriadinho ou uma gripezinha”. Daí, entidades médicas consideraram a fala de Bolsonaro como “o discurso da morte”.

 

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EUA pedem para americanos deixarem imediatamente o Brasil
     │     6:22  │  16

Brasília – Pouco mais de 2 horas após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, em rede nacional de rádio e televisão, a embaixada dos Estados Unidos orientou os americanos a deixarem imediatamente o Brasil, retornando aos seus estados de origem.

A orientação, dizem, não se restringe apenas ao Brasil, mas a determinação ato contínuo ao pronunciamento de Bolsonaro, considerado desastroso até mesmo dentro das Forças Armadas, causou expectativa e levou a várias ilações.

Contrariando todas as expectativas, o pronunciamento do presidente veio ao encontro das recomendações que as autoridades médicas e sanitárias brasileiras têm feito e que são corroboradas pela Organização Mundial de Saúde.

Informa-se na Capital Federal que o governo dos Estados Unidos pode enviar aviões para resgatar os cidadãos norte-americanos que estejam no Brasil a serviço ou a passeio. O governo brasileiro, até agora, não se pronunciou sobre a determinação.

Há quem garanta que “houve coincidência” quando a determinação do governo dos Estados Unidos se deu logo após o pronunciamento de Bolsonaro, pronunciamento esse que causou mal estar até mesmo dentro das Forças Armadas.

O comandante do Exército, general Edson Pjol, fez um pronunciamento interno à tropa, por vídeo, pedindo para que todos os militares, da ativa e da reserva, e seus familiares, obedeçam as orientações médicas – o general concluiu sua orientação citando versos da Canção do Exército.

Também há informações de que os governadores do Sudeste, que estão convidados a interagirem com o presidente num vídeo conferência nesta quarta-feira, 25, não querem mais participar depois do pronunciamento do presidente mandando o povo ir às ruas e condenando as medidas adotadas por eles (governadores) para combater a pandemia de Coronavírus.

A crise só se agrava e, além da pandemia da doença, tem a instabilidade política causada pelos desastrados pronunciamentos de Bolsonaro.

Ou seja, o que estava ruim, piorou.

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Bolsonaro manda o povo sair às ruas e faz chacota do Coronavírus
   24 de março de 2020   │     21:20  │  13

Brasília – Não dá para acreditar que o mundo e a Organização Mundial de Saúde estão errados e só o presidente Jair Bolsonaro está certo.

Pois foi exatamente isso o que o presidente tentou passar como mensagem à nação, no seu pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, quando, sem nenhuma comprovação cientifica, ele tentou desfazer toda a mobilização internacional para se combater a pandemia do Coronavírus – que, no Brasil, infelizmente está ainda no começo.

Os quase 50 mortos até agora e os milhares de casos comprovados nada valem para o presidente. Nem mesmo os 20 casos diagnosticados entre os ministros e assessores que viajaram com o presidente para os Estados Unidos, sensibilizaram Bolsonaro.

Esperava-se no pronunciamento do presidente à nação o comedimento nas palavras, mas esse deu lugar à arrogância e à irresponsabilidade, quando ele manda a população sair às ruas, contrariando as recomendações médicas.

Bolsonaro acredita que agindo assim vai ajudar a economia e, com essa visão, ele optou por seguir o discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, deixando de considerar os números pífios do PIB ( Produto Interno Bruto ), que se repetem há três anos seguidos.

O que o presidente dirá nesta quarta-feira, 25, aos governadores de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espirito Santo? Que eles, os governadores, estão errados?

Deve ser isso, porque Bolsonaro mandou o povo sair às ruas e desrespeitar as orientações médicas.

Todavia, entre o presidente e os médicos, fique com os médicos. Claro.

Do contrário…

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Generais assumem o comando e Bolsonaro recua
     │     18:57  │  2

Brasília – Por que o presidente Jair Bolsonaro baixou o tom e recuou da ideia de se confrontar com os governadores, que assumiram a dianteira do comando ao combate à epidemia do Coronavírus?

Essa pergunta foi o tema das conversas entre políticos aliados ou não ao governo, depois de se surpreenderem com a brusca mudança de posicionamentos de Bolsonaro em relação aos governadores do Nordeste – que ele desdenhava e humilhava.

O que aconteceu que fez o presidente mudar bruscamente?

Aconteceu que os generais Fernando Azevedo ( Defesa ), Braga Neto ( Casa Civil ) e Luiz Eduardo Ramos ( secretário de Governo ) decidiram intervir. Eles se contrapuseram ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que havia orientado Bolsonaro a enfrentar os governadores e revogar a ordem deles ( governadores ) para quarentena geral nos Estados.

Os generais apoiaram a decisão dos governadores, lembrando que dois ministros militares, o general Augusto Heleno ( Gabinete de Segurança Institucional ) e o almirante Bento Albuquerque ( Minas e Energia ), contraíram o Coronavírus – logo, a pandemia não pode ser tratada sob a ótica estreita do ministro da Economia.

Bolsonaro atendeu aos generais que, embora de forma sutil e disfarçada, assumiram o protagonismo das ações do governo. O teste para o presidente está marcado para esta quarta-feira, 25, quando Bolsonaro terá de conversar, ainda que por vídeo conferência, com os ex-amigos e ex-eleitores,  ou seja, com os governadores de São Paulo, João Dória (PSDB) e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSL), além dos governadores de Minas Gerais e do Espirito Santo.

De fato, o ministro Paulo Guedes perdendo o protagonismo nesse esforço nacional – e mundial -, de combate à pandemia, já é um bom sinal.

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Bolsonaro, finalmente, conversa com os governadores dos “paraíbas”
   23 de março de 2020   │     21:48  │  18

Brasília – A contragosto, mas forçado pelas circunstâncias, o presidente Jair Bolsonaro conversou pelas redes sociais com os governadores do Nordeste, ou os “governadores dos paraíbas”, como ele se refere à região, para combater a pandemia do Coronavírus – que, antes,ela havia minimizado.

Mas, no seu costumeiro monologo pelas redes sociais, o presidente parece ter errado nas contas e o que na verdade deve ser 8 bilhões de reais, ele digitou 87 bilhões de reais, “no tocante” à liberação da ajuda financeira à região.

Portanto, onde se leu e se ouviu 87 bilhões de reais para o Nordeste, leia-se e ouça-se algo em torno de 8 ou 9 bilhões de reais, porque o presidente se confundiu, segundo os observadores mais atentos.

Bolsonaro também se “confundiu” na proposta encaminhada ao Congresso Nacional para ajuda às empresas, quando permitia demissão de empregados sem a devida indenização. Diante da reação negativa, o presidente retirou o item da proposta.

Depois de conversar com os governadores do Norte e do Nordeste, Bolsonaro promete conversar com os governadores do Sul e do Sudeste, mas, aí, tem dois obstáculos que o presidente reluta em transpor – que são os governadores do Rio de Janeiro, Wilson Wiltzel, e de São Paulo, João Dória, dois ex-aliados que Bolsonaro transformou em desafetos.

Vamos ver as cenas dos próximos capítulos, porque os comandantes da reação brasileira contra o Coronavírus são os governadores; o presidente vem à reboque.

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