Eleição para a mesa do Senado será secreta
   2 de fevereiro de 2019   │     4:39  │  4

Dias Toffoli anula sessão que decidiu pelo voto aberto no Senado Foto: Rosinei Coutinho / O Globo

por Aprigio VIlanova*

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, concedeu liminar, na madrugada deste sábado, determinando que a eleição que irá escolher o presidente do Senado para o próximo biênio (2019-2021) seja secreta.

O documento assinado por Toffoli anulou também a questão de ordem votadas pelos senadores que autorizava a votação aberta. A manobra do senador, Davi Alcolumbre (DEM-AP), viola o regimento interno do Senado que prevê votação secreta para a eleição do presidente da casa.

A reunião desta sexta foi tumultuada com diversas trocas de acusações e insultos. Após muito bate-boca, os senadores chegaram a um acordo e resolveram encerrar a sessão, convocada para este sábado, às 11h, a retomada dos trabalhos.    

A petição que pedia o pronunciamento do STF foi protocolada pelo partido Solidariedade. Na petição, o Soliariedade argumentou que o Senado havia descumprido a decisão anterior de Toffoli que garantia a votação secreta, tanto na Câmara, quanto no Senado.

Para o Toffoli, a manobra do senador Alcolumbre de submeter “questão de ordem versando a forma de votação da eleição da mesa diretora (secreta ou aberta) desrespeitou a decisão que proferi nesta suspensão de segurança, bem como subverteu de forma deliberada as finalidades precípuas das reuniões preparatórias”.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

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Na dúvida, Bolsonaro parabeniza os 9 senadores
   1 de fevereiro de 2019   │     0:27  │  6

Brasília – Até a senadora Simone Tebet (MS), derrotada na consulta interna para escolha do candidato do MDB à presidência do Senado, recebeu os cumprimentos do presidente Jair Bolsonaro.

Tebet obteve 5 votos e perdeu para o senador Renan Calheiros, que somou 7 votos.

A atitude do presidente ilustra o ineditismo na disputa pelo comando do Senado, porquanto nunca se registrou número tão elevado de pretendentes.

O senador Renan defende que a sessão seja presidida pelo senador José Maranhão, o mais velho e seu aliado; os que se opões à candidatura do alagoano defendem o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP).

A oposição a Renan também vai propor o voto aberto e o senador Randolphe Rodrigues já se antecipou e comunicou que, independente da decisão, os cinco senadores da Rede vão declarar o voto.

Com 8 candidatos na disputa, essa é a primeira vez que a eleição no Senado mobiliza tantos pretendentes e escancara os conflitos internos.

Essa sexta-feira promete e não dá para subestimar o poder de Renan.

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Evangélicos e ministros civis reagem contra Mourão
   31 de janeiro de 2019   │     0:12  │  10

Brasília – Pela postura e desenvoltura, especialmente com a imprensa, o general Hamilton Mourão está ficando maior que o governo.

Mas, não é de agora que o general se sobressai. Durante a campanha ele se apresentou para substituir Bolsonaro nos debates e os filhos do candidato a presidente impediram.

O general não é um vice-presidente decorativo, embora tivesse comunicado que desempenharia o papel à semelhança do Marco Maciel – que foi um vice-presidente decorativo.

Ocorre que a desenvoltura e os posicionamentos do general, especialmente contra a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, estão incomodando os evangélicos e a ala civil do governo, que perderam o protagonismo.

Mourão é independente e tem tomado posições que se contradizem com o próprio governo.

O presidente Bolsonaro disse que ia fechar a representação da Palestina, ato contínuo, o general recebeu representantes palestinos garantindo-lhes que a representação não será fechada.

A transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, prometida por Bolsonaro, foi desmentida pelo general ao receber a delegação árabe.

Hospitalizado em São Paulo, o presidente foi aconselhado a retirar o general de cena reassumindo o governo, ainda que para isso tenha de fingir estar governando.

Até agora o vice Mourão foi dono da história, enquanto o presidente Bolsonaro apenas assiste.

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O risco de transformar o Lula em mártir
   30 de janeiro de 2019   │     2:16  │  21

Brasília – A negativa para o pedido da defasa do ex-presidente Lula, para que ele fosse ao velório do irmão, era certa.

Genivaldo Inácio da Silva, o irmão do Lula, faleceu de câncer e será sepultado na tarde desta quarta-feira, 30.

Em Curitiba, a Polícia Federal, no parecer contrário ao pedido, alegou riscos de fuga e tumulto, além do avião, que está socorrendo vítimas na tragédia de Blumadinho-MG.

O Ministério Público Federal acompanhou a alegação da PF e a juíza federal Carolina Lebbos acompanhou a alegação de ambos, de modo que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a quem compete a palavra final, também acompanhará os dois.

Os desembargadores do TRF da 4ª Região talvez nem precisem decidir nada, porque não haverá mais tempo para o Lula chegar em São Paulo antes do sepultamento.

Mas, o que parece ter sido uma decisão eminentemente judicial, passou antes pelo governo. Houve reunião e a palavra final coube aos generais, por isso a decisão da juíza só foi anunciada nesta madrugada.

O general Hamilton Mourão, no exercício da presidência, posicionou-se favorável ao pedido da defesa do Lula e chegou a comentar que teve um irmão falecido recentemente e entende o sentimento, mas Mourão não decidiu – quem decidiu foi o núcleo mais próximo do presidente Bolsonaro.

Imagine qual seria o quadro se o Lula viesse a falecer na prisão, diante do impasse sobre o que fazer com o corpo. O dilema quanto ao mártir que se produz involuntariamente persiste.

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No Senado, 8 candidatos embolam disputa pela presidência
   29 de janeiro de 2019   │     4:14  │  3

Brasília – Se na Câmara o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) está praticamente reeleito presidente, no Senado o cenário é cada vez mais indefinido.

Na segunda-feira, 28, apareceu mais um senador para a disputa. Trata-se do senador Regufe, do Distrito Federal, que está sem partido, somando oito postulantes, a saber:

Senadores Álvaro Dias (Pode-PR), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Esperidião Amin (PP-SC), major Olímpio (PSL-SP), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Simone Tebet (MDB-MS), Renan Calheiros (MDB-AL) e Regufe (DF).

A última vez que aconteceu uma polarização na disputa pela presidência do Senado foi em 2001, mas reuniu apenas três senadores: Jader Barbalho (DEM), Arlindo Porto (PTB-MG) e Jefferson Peres (PDT-AM).

Barbalho venceu.

Este ano, a eleição marcada para sexta-feira, 1º de fevereiro, não permite nenhum prognóstico e tudo indica que será definida no segundo turno.

O quadro mudou significativamente e o voto secreto, que antes era considerado trunfo pelo senador Renan, agora é preocupação. Renan fez de tudo para se aproximar do governo Bolsonaro, chegou a se oferecer para um encontro com o presidente e depois postou nas redes sociais mensagem de apoio ao filho dele, Flávio, futuro senador, mas o pai e o filho reagiram com indiferença.

Renan bandeou-se para a oposição se juntando com o futuro senador Cid Gomes (PDT-CE), irmão do Ciro Gomes, mas não é certo que logre êxito nessa jogada.

A eleição no Senado promete.

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