O que fará Aécio Neves?
   30 de julho de 2018   │     22:16  │  21

por Aprigio Vilanova*

O prazo para os partidos políticos definirem seus candidatos a deputados estaduais e federais se encerra no próximo domingo, 5. Um caso, em especifico, vem chamando a atenção nos bastidores da política, é a situação do senador mineiro, Aécio Neves (PSDB).

 Aécio que foi um dos grandes responsáveis pela campanha que inviabilizou o governo Dilma está acuado. A situação do senador é emblemática, ele não esteve presente na convenção do PSDB que oficializou a candidatura de Antônio Anastasia ao Palácio da Liberdade.

Em nota, Aécio afirmou que até o domingo se posiciona sobre seu futuro nas eleições de outubro. As eleições abrem duas vagas para o cargo de senador e nas pesquisas Aécio aparece em terceiro lugar, atrás de Dilma Rousseff (PT) e Bruno Siqueira (MDB).

Há algumas possíveis alternativas: uma é confirmar a candidatura a Câmara dos Deputados e não arirscar mais uma derrota para Dilma. A outra possibilidade que também é aventada é a não candidatura e esperar um cargo no governo de Anastasia.

Nas pesquisas divulgadas a ex-presidente Dilma aparece na frente das intenções de votos para o senado em Minas Gerais.  

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

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80 anos da morte de Lampião
   28 de julho de 2018   │     9:23  │  15

por Aprigio Vilanova*

Lampião com o cineasta libanês Benjamin Abrahão

Em 28 de Julho de 1938 chegava ao fim a trajetória do líder cangaceiro mais polêmico e influente da história do cangaço. A tentativa de explicar a morte de Lampião levanta controvérsias e alimenta a imaginação, dando origem a várias hipóteses acerca do fim de seu “reinado” nos sertões nordestinos.

Existe a versão oficial que sustenta a chacina de Angicos pelas forças volantes de Alagoas e existe também a versão do envenenamento de grande parte do grupo que se encontrava acampado em Angicos.

A versão oficial explica que Lampião e a maior parte de seus grupos se encontravam acampados em Sergipe, na fazenda Angicos, no município de Poço Redondo, quando foram surpreendidos por volta das 5:30 da manhã; as forças volantes de Alagoas agiram guiadas pelo coiteiro Pedro de Cândido e os cangaceiros não tiveram tempo de esboçar qualquer reação. -Lampião é o primeiro a ser morto na emboscada. 

Ao todo foram 11 cangaceiros mortos, entre eles Lampião e Maria Bonita; em seguida, depois da decapitação, deu-se a verdadeira caça ao tesouro dos cangaceiros, desde as jóias, dinheiro, perfumes importados e tudo mais que tinha valor foi alvo da rapinagem promovida pela polícia.

Depois de ter sido pressionado pelo ditador Getúlio Vargas, que sofria sérios ataques dos adversários por permitir a existência de Lampião, o interventor de Alagoas, Osman Loureiro, adotou providências para acabar com o cangaço; ele prometeu promover ao posto imediato da hierarquia o militar que trouxesse a cabeça de um cangaceiro. 

Ao regressarem à cidade de Piranhas as autoridades alagoanas decidiram exibir na escadaria da Prefeitura, as cabeças dos 11 cangaceiros mortos em Angicos. A macabra exposição ainda seguiu para Santana do Ipanema e depois para Maceió, aonde os políticos puderam tirar proveito o quanto quiseram do evento mórbido – a morte de Lampião e o pseudo-fim do cangaço no Nordeste foram temas de muitas bravatas políticas. 

LOCALIZAÇÃO

O acampamento onde estava Lampião e seu grupo ficava na margem direita do rio São Francisco, no Estado de Sergipe, município de Poço Redondo. A gruta de Angicos está situada a 1 km da margem do Velho Chico e estrategicamente favoreceu ao possível ataque da polícia alagoana.

O local do acampamento é um riacho temporário que na época estava seco e a grande quantidade de areia depositada formava um piso excelente para armar o acampamento. Mas, por ser uma grota, desfavorecia aos cangaceiros que estavam acampados embaixo. 

DE VIRGULINO A LAMPIÂO

Virgulino Ferreira da Silva nasceu no município de Serra Talhada, em Pernambuco, e se dedicou a várias atividades: vaqueiro, almocreve, poeta, músico, operário, coreógrafo, ator, estrategista militar e chegou a ser promovido ao posto de capitão das forças públicas do Brasil, na época do combate à Coluna Prestes, no governo de Getúlio Vargas.

Sua infância foi como a de qualquer outro menino nascido no sertão nordestino; pouco estudo e muito trabalho desde cedo. Ainda menino, Virgulino recebe de seu tio um livro da biografia de Napoleão Bonaparte o que vai permitir a introdução de várias novidades desde o formato do chapéu em meia lua, algo inexistente até a entrada de Lampião no cangaço, até a formação de grupos armados e passando por táticas de guerra. 

O jovem Virgulino percorreu todo o Nordeste, do Moxotó ao Cariri, comercializando de tudo pelas cidades, povoados, vilas, sítios e fazendas da região – ele vendia bugigangas, tecidos, artigos em couro; trazia as mercadorias do litoral para abastecer o sertão. Na adolescência, por volta dos 19 anos, Virgulino trabalhou para Delmiro Gouveia transportando algodão e couro de bode para a fábrica da Pedra, hoje município homônimo do empresário que o fundou.

As estradas eram precárias e o automóvel algo raro para a realidade brasileira do início de século XX; o transporte utilizado por esses comerciantes para chegarem aos seus clientes era o lombo do burro. Foi daí que Virgulino passou a conhecer o Nordeste como poucos e esta fase de sua adolescência foi fundamental para a sua permanência, durante mais de vinte anos, no comando do cangaço.

E O QUE MUDOU?

O cangaço foi um fenômeno social bastante importante para a história das populações exploradas dos sertões brasileiros. Existem registros que datam do século XIX e que nos mostram a existência deste fenômeno por mais ou menos dois séculos.

O cangaço só se tornou possível graças ao desinteresse do poder público e os desmandos cometidos pelos coronéis e pela polícia com a subserviência do Estado. 

O sertão nordestino sempre foi tratado de forma desigual em relação à região litorânea, e o fenômeno da seca sempre foi utilizado para manutenção dos privilégios da elite regional. O fenômeno social do cangaço não deixa de ser uma reação a este modelo desumano de ocupação do território brasileiro, e à altíssima concentração de renda e de influência política. 

O governo brasileiro nunca ofereceu os direitos básicos, fundamentais aos sertanejos; o Estado jamais ofereceu educação, saúde, moradia, emprego o que tornou a sobrevivência no sertão complicada; o único braço estatal conhecido na região é a polícia, que, como sabemos, age na defesa do “status-quo”, é prepotente e intimida.

O poder dos coronéis do sertão era o que prevalecia em detrimento dos direitos fundamentais da população. A economia sertaneja era basicamente a criação de gado para o suprimento do país, a carne do sertão abastecia os engenhos de açúcar e as cidades do Brasil. O sertão historicamente foi ocupado com a pecuária.

Passado 80 anos a realidade do sertão nordestino não mudou muito; o cangaço se foi e no lugar surgiram pistoleiros de aluguéis que moram no asfalto; e os coronéis de antigamente hoje estão espalhados e infiltrados nos três poderes, gozando de foro privilegiado. A seca ainda vitima milhões de sertanejos, que continua sendo tratada da mesma forma assistencialista do passado. Finalmente, a corrupção continua a mesma; mudaram os personagens e a moeda. 

E, infelizmente, a impunidade que também é a mesma de muito antes do cangaço.

Assista o vídeo com as imagens que foram recuperadas de Benjamin Abrahão

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

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MBL e a indústria de notícias falsas ou falsas notícias
   27 de julho de 2018   │     14:34  │  11

Por Aprigio Vilanova*

O conceito é novo, mas a pratica é muito antiga. O que hoje aprendemos a conceituar como fake news ou notícias falsas, os mais antigos chamavam de boatos ou até mesmo de pasquim. A prática de distorcer os fatos e estrangulá-los para atender aos próprios interesses não é novidade.

As notícias falsas podem ter duas naturezas basicamente: tornar verdade a mentira ou transformar em mentira a verdade. Este expediente é mais antigo que a própria imprensa. Como a verdade e a mentira são conceitos relativos, parece impossível impedir a proliferação das ditas fake News ou notícias falsas.

O problema é que atualmente temos a rede mundial de computadores, o mundo conectado a partir da internet e, com a abrangência das redes sociais, basta apenas um clique para estas pseudos notícias se espalharem numa velocidade estonteante. Uma vez na rede sempre na rede.

A polêmica mais recente envolve o Movimento Brasil Livre (MBL) e a desarticulação, por parte do Facebook, da rede de páginas e perfis pessoais propagadores de notícias falsas e articulada pelo movimento. Foram cerca de 196 páginas e 87 perfis pessoais responsáveis por alimentar a indústria da mentira.

“Como parte de nossos esforços contínuos para evitar abusos e depois de uma rigorosa investigação, nós removemos uma rede com 196 Páginas e 87 Perfis no Brasil que violavam nossas políticas de autenticidade”, informou o Facebook Brasil.

Mas a polêmica não para por aí, com exclusão das páginas ligadas ao MBL veio a repercussão com argumentos que beiram a loucura. Acusam o Facebook e seu presidente, Mark Zuckerberg, de estarem a serviço da esquerda brasileira.

Ou de estarem praticando censura, mas o fato é que a empresa tem seu guia de regras e padrões de participação na comunidade virtual. E, pelo que afirmou o jornalista, Leonardo Sakamoto, as páginas atuavam no sentido de manipular o debate público.

Clique aqui e veja a lista completa das páginas retiradas da rede

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

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Mais uma comunidade quilombola reconhecida em Alagoas
   25 de julho de 2018   │     16:47  │  26

por Aprigio Vilanova*

A Guerra dos Palmares, pintura de Manuel Vítor, 1955

No dia em comemoração a mulher negra latinoamericana, Alagoas tem reconhecida mais uma comunidade remanescente de quilombo. A Fundação Palmares reconheceu a comunidade Sítio Queimadas, em Água Branca, como comunidade remanescente de quilombo.

O presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira, garantiu o reconhecimento por meio da portaria 184 de 23 de julho, a oficialização da comunidade foi publicada hoje, 25, no Diário Oficial da União.

Reprodução da portaria publicada no Diário Oficial da União

Na página do Instituto de Terras e Reforma Agrárias de Alagoas (Iteral) constam 68 comunidades reconhecidas como remanescente de quilombos  por parte da Fundação Palmares, beneficiando 6.889 famílias. 

A comunidade Sítio Queimadas é 69ª, em Alagoas, e a sexta, no município de Água Branca.

Reprodução (Iteral) das comunidades quilombolas reconhecidas em Água Branca

História

Os quilombos foram regiões ocupadas por negros fugidos dos engenhos e fazendos durante o período de escravização dos povos vindos da África. Estas regiões serviram como lugares de refúgio e resistência ao sistema escravagista.

Alagoas, na época pertencente a Capitania de Pernambuco, abrigou o maior Quilombo dos Palmares, o maior centro de resistência ao regime escravagista das Américas.  Na Serra da Barriga estava localizada a capital do Quilombo dos Palmares, conhecida como Cerca Real dos Macacos.   

Veja o vídeo

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

 

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Temer e o xadrez do salvar-me-ei
   24 de julho de 2018   │     17:30  │  31

por Aprigio Vilanova*

O xadrez das eleições de outubro já começou a ser jogado. O presidente Michel Temer (SP) e o MDB já articulam os planos para garantir o foro privilegiado de Temer após o término do exercício na presidência da República.

Algumas estratégias são colocadas no tabuleiro eleitoral, tudo com vistas em garantir a imunidade e preservá-lo das medidas cautelares que são dadas como certas.

Temer é investigado e o cerco começa a se fechar, principalmente no caso Rodrimar e JBS.  

O plano A começou a se desenhar com a articulação do centrão para garantir o apoio a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). A colunista, Mônica Bergamo, já havia noticiado que o mais provável, com a eleição de Alckmin, é que Temer assuma uma embaixada.

Caso a candidatura de Alckmin não decole e as pesquisas mostram que o ex-governador tucano continua patinando, entrará em cena o plano B, este bem mais exequível. 

O plano consiste na eleição de João Dória (PSDB-SP) ao Palácio Bandeirantes e, consequentemente, garantir um cargo com foro para Temer, no governo paulista. 

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

 

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