Para quem foi o recado?
   11 de maio de 2018   │     0:09  │  72

Brasília – Uma das narrativas hilárias sobre o golpe de 1964 é do ator e escritor Mário Lago – que foi preso por ser comunista.

Contou Mário Lago, que para se livrar dos flagrantes, alguém abandonou os livros marxistas numa rua em Copacabana; um biscateiro encontrou os livros e decidiu vendê-los.

Sem noção do que estava oferecendo aos transeuntes, o biscateiro se entusiasmou com o apurado e oferecia os livros quase aos berros. Foi quando a polícia chegou.

Ele reagiu argumentando que estava ganhando a vida honestamente, mas quanto mais ele argumentava, mais suspeito se tornava, até que o policial encerrou a conversa com o diagnóstico: tratava-se de um “perigoso comunista”.

Coisa nenhuma; era apenas um biscateiro, que perambulava pela praça. Foi levado para a prisão na Ilha Grande, onde narrou o fato quando o Mário Lago, sem reconhecê-lo de nenhum movimento político, quis saber o motivo de ter sido preso.

O biscateiro não conhecia o conteúdo dos livros que vendia, muito menos sabia quem tinha sido Marx. Mas, era “um perigoso comunista”.

Essa visão distorcida da realidade é fruto dos conceitos que se faz à mercê das próprias expectativas. Eles viam comunistas, onde queriam ver e isso se disseminou de uma forma que contaminou todos os segmentos.

Uma verdadeira paranoia nacional.

Nessa paranoia estavam envolvidos religiosos da Tradição, Família e Propriedade; militares, comerciantes, um segmento estudantil virulento de direita vendo inimigos em todos os que lhes fossem contrários.

Um campo fértil para se disseminar o ódio.

O noticiário sobre os crimes praticados no governo Geisel, com o conhecimento do general Figueiredo, que veio a sucedê-lo na presidência da República, só tem de novidade o fato de ter se originado de documentos em poder dos Estados Unidos – que apoiaram o golpe.

Mas, como nada é por acaso, a notícia serve para ligar o sinal de alerta. Para quem foi o recado?

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PSDB chafurda na própria lama que criou
   10 de maio de 2018   │     1:09  │  33

Brasília – A novidade na disputa presidencial este ano é a chapa BolsonaroMourão.

Mourão é general e Bolsonaro capitão, o que apimenta esse molho esdruxulo nessa República malfeita.

Mas, é tudo de acordo com os costumes, e isso explica o sumiço das pesquisas de intenção de votos para presidente da República.

É que o Lula, mesmo preso, continua liderando.

As pesquisas a partir de agora serão realizadas com indução do voto, ou seja, nominando o candidato, excluindo-se o Lula.

O quadro sucessório presidencial confuso, que pode gerar a chapa com o general perfilando-se ao capitão, é o reflexo das tramas do PSDB.

Por ironia, o PSDB chafurda no próprio lamaçal que produziu e está alijado da disputa presidencial.

É como explicar o general perfilando-se para o capitão. Continua tudo errado no quadro sucessório presidencial, mas é tudo reflexo do golpe maldado.

O PSDB não imaginava que iria sucumbir na própria lama que gerou.

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Temer diz que não teme ser preso, mas temer ele teme
   7 de maio de 2018   │     21:42  │  46

Brasília – O ministro Luiz Roberto Barroso atendeu ao pedido da Polícia Federal e prorrogou por mais 60 dias a investigação sobre o presidente Michel Temer, no esquema de lavagem de dinheiro.

Mas, a Polícia Federal quer mais; a PF quer a liberação de todo o teor das gravações telefônicas das conversas de Temer com os amigos José Yunes e João Batista Lima, o coronel Lima, reformado da Polícia Militar de São Paulo.

A investigação é sobre a edição da Medida Provisória (MP), tão logo Temer assumiu a presidência, que teria beneficiado a empreiteira Rodrimar na exploração do porto de Santos-SP, em troca de propina.

Além de Temer, Yunes e o coronel Lima, também estão citados no esquema investigado pela PF os ministros Elizeu Padilha e Moreira Franco, o deputado Lúcio Vieira Lima e o irmão dele, Geddel Vieira Lima.

A decisão do ministro Barroso irritou o Palácio do Planalto, porque implica em mais agonia para o governo. Em 60 dias dar-se-á o recesso do meio do ano, o que significa estender a agonia às proximidades da eleição.

Temer se preocupa porque, no ano eleitoral, se já é complicado juntar todos os aliados no Congresso, com a eleição às vésperas se tornará mais difícil. Isso, sem contar com a gravidade de uma terceira denúncia contra o presidente, bem mais contundente que as duas primeiras – que foram rejeitadas a peso de ouro pelo governo.

Ouro esse que não tem mais.

Na entrevista concedida à Rádio CBN, Temer falou sobre a possibilidade de ser preso ao deixar a presidência. Disse não temer essa possibilidade, mas, pela resposta deixou implícita a preocupação ao arrematar: “Seria uma indignidade” (ser preso).

 

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Os dois pesos e as duas medidas da justiça
     │     0:42  │  30

Brasília – De acordo com o Código Penal, o prazo de prescrição da pena é reduzido à metade quando o acusado completa 70 anos de idade.

Nos crimes de peculato e lavagem de dinheiro o prazo de prescrição é de 16 anos; se o acusado tem 70 anos de idade, o prazo é a metade, ou seja, 8 anos.

O primeiro na lista a se beneficiar da lei é o ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, que foi condenado a 20 anos e 1 mês de prisão num julgamento em 2ª Instância, mas permanece solto.

Em setembro ele completa 70 anos de idade e, tudo indica e ele mesmo espera que aconteça, o processo prescreverá. Ficará o dito pelo não dito, apagando-se o que está escrito.

Se contra o José Serra o crime prescreveu, porque com o Azeredo não prescreverá?

 

 

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O sorriso do lagarto
   5 de maio de 2018   │     1:50  │  47

Brasília – Lembrei-me do livro do João Ubaldo Ribeiro, intitulado de “O sorriso do lagarto”, ao ver o Temer rindo ao responder à pergunta do jornalista sobre o depoimento da filha dele à Polícia Federal.

Olhe meu riso! …

Misericórdia…

E pensei em escalar a quadrilha junina, digo, o time:

– Temer, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, coronel Lima e Yunes; Henrique Alves, Padilha, Moreira Franco e  Rocha Loures.

Diga aí, que timaço! Uns presos – com passe preso -, outros, com passe livre devido aos embargos, apelido que deram à impunidade.

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