Com o ministro Moro, o juiz Sérgio não teria ido muito longe
   4 de julho de 2019   │     12:17  │  11

por Aprigio Vilanova*

Após as revelações trazidas pelo premiado jornalista Gleen Greenwald, em seu site The Intercept, com mensagens atribuídas ao ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Publica, Sérgio Moro, com os procuradores da Força Tarefa da Lava Jato, já fica evidente a utilização da máquina repressiva do estado brasileiro para ameaçar o jornalista.

Moro e Bolsonaro estão utilizando o aparato estatal para ameaçar, constranger, impedir as revelações que vem sendo trazidas ao público pelo jornalista americano. A imprensa já noticia que a Polícia Federal (PF), subordinada a Sérgio Moro, solicitou junto ao Coaf, os dados das movimentações financeiras de Greenwald.

A cada dia que passa, a cada nova conversa revelada entre Moro e os procuradores, o desespero do ex-juiz aumenta ao ponto de fugir das perguntas feitas ela oposição na reunião realizada na Câmara dos Deputados, na qual o ministro da Justiça foi convidado. Moro tergiversa o tempo inteiro, foge das questões centrais e quando fala é para tentar confundir a opinião pública. 

É grave a postura do governo diante do jornalista Greenwald, a prática revela como esta turma se comporta diante da pressão e deixa claro que a liberdade de imprensa não é um dos bens mais preciosos a ser preservado. O que faria o atual ministro Sérgio Moro diante dos arbítrios cometidos pelo então juiz Sérgio Moro?

A tirar pelo comportamento diante do jornalista Gleen Greenwald é possível afirmar que o juiz Moro não teria ido muito longe no seu intento. Com a postura adotado por Sérgio Moro fica clara a intenção em ter o Coaf sob a sua tutela. O motivo por trás das aparências é perseguir possíveis ‘inimigos’.

Não é novidade que o governo Bolsonaro não é muito afeito a liberdade de imprensa, os ataques aos veículos começaram muito antes da eleição do presidente Bolsonaro. O caminho trilhado até o momento não indica bons sinais, o ataque diuturno a imprensa e a jornalistas com postura crítica ao governo abre caminho para o fascismo.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG    

COMENTÁRIOS 11

É COCA da boa, tá okay!
   26 de junho de 2019   │     19:56  │  75

Brasília – A capital federal tremeu. Foi preso em Sevilha, na Espanha, o segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues com 39 quilos de cocaína sendo transportado no avião presidencial.

O segundo-sargento integrava a comitiva avançada de transporte que dava apoio ao presidente Jair Bolsonaro. O vice-presidente, Hamilton Mourão, disse que o militar cumpria o papel de ‘mula qualificada’.

 

COMENTÁRIOS 75

Moro: “Foi bola nas costas da PF, foi lambança”
   23 de junho de 2019   │     20:37  │  15

Aprigio Vilanova*

Desde que teve acesso ao vasto conteúdo envolvendo conversas entre os integrantes da força tarefa da Lava Jato e o então juiz Sérgio Moro, o Intercept Brasil buscou parcerias com outros veículos para publicação do material. 

A primeira parceria anunciada foi com a Folha de S. Paulo. Segundo o Intercept, a parceria se justifica para reportar a enorme quantidade de complexas histórias de interesse público encontradas nos materiais.

A Folha de S. Paulo publicou sua primeira reportagem neste domingo (23). A reportagem revela a articulação do Ministério Público para proteger o então juiz e evitar tensão no Supremo Tribunal Federal (STF).

As mensagens revelam temor de que o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, pudesse desmembrar os inquéritos uma vez que Moro controlava inquéritos de autoridades com foro privilegiado. Estes só poderiam ser investigados com a autorização da Suprema Corte. 

Moro reclama da divulgação feita pela Polícia Federal (PF) com os nomes dos políticos que estariam sob investigação. Na conversa, Moro discute com Dallagnol a melhor maneira para encaminhar os processos ao STF. 

Moro classifica a divulgação como ‘bola nas costas’ e ‘lambança’ da PF. Dallagnol justificou a Moro que não houve má-fé da PF. Moro retruca é afirma que mesmo que não tenha havido má-fé se trata de ‘lambança’. 

O relato da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, já havia se pronunciado em outras oportunidades criticando o método utilizado na força tarefa e o vazamento das conversas envolvendo a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

Nas mensagens reveladas pela Folha de S. Paulo e Intercept Brasil, Moro questiona a mobilização articulada pelo Movimento Brasil Livre (MBL) que convocou protesto para a porta da residência do ministro Zavascki.

Moro classifica os integrantes do MBL de tontos. Em nota, o MBL rebateu a reportagem afirmando que a intenção é inocentar condenados. Moro, após a divulgação, disse que não reconhece a veracidade das mensagens, mas pediu desculpas ao MBL.

A internet não perdoou e a explicação do ministro da Justiça e Segurança Pública virou piada na rede. Questionaram os internautas: Como alguém pede desculpas por uma mensagem que diz não ter feito e que não reconhece a autenticidade?

O Intercept publicou editorial informando que esta primeira leva de reportagens terá como gancho revelar a relação próxima estabelecida entre o juiz e os procuradores e que a Folha foi a primeira parceria anunciada. Outras virão.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

 

COMENTÁRIOS 15

OAB entra no Supremo contra bloqueio de recursos da educação
   22 de junho de 2019   │     21:01  │  6

por Aprigio Vilanova*

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nacional impetrou Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do governo federal de contingenciar recursos da educação superior. 

A OAB pede suspensão dos bloqueios e a proibição de inexecuções arbitrárias do orçamento das universidades e instituições federais de ensino. Para a OAB a medida do governo federal fere a autonomia universitária e compromete o funcionamento das universidades.

O anúncio do contingenciamento foi feito em abril pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. Na ocasião, o ministro declarou que os cortes seriam para as universidade que promoviam eventos classificados como balbúrdia. Logo recuou da declaração e ampliou o contingenciamento para todas as universidades e institutos federais. 

No documento, a OAB afirma que: “As alegações do ministro indicam objetivos não republicanos, seja de retaliação a universidades consideradas incômodas ao governo, seja de chantagem para usar os recursos da pasta como moeda de troca visando à obtenção de respaldo político a pautas do Poder Executivo. 

Segundo a OAB, na ADPF, foram congelados cerca de R$18 bilhões, o que significa quase 25% do orçamento das universidades para este ano. 

Clique aqui para ler o documento na íntegra

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

COMENTÁRIOS 6

Qual o motivo de Moro e os procuradores utilizarem o Telegram?
   21 de junho de 2019   │     16:44  │  12

por Aprigio Vilanova*

Primeiro para tentar entender o que está acontecendo no Brasil a partir dos vazamentos das mensagens dos procuradores da Força Tarefa da Lava Jato e do, então, juiz Sérgio Moro, é preciso ter em vista o que levou o grupo a utilizar o aplicativo de mensagens Telegram para comunicação interna entre os membros.

Não há dúvidas que a intenção na escolha do aplicativo para troca de mensagens foi a da segurança propagandeada pelos fundadores do mensageiro, os irmãos russos Durov. O Telegram vende a ideia de que é o aplicativo mensageiro mais seguro, principalmente após a venda do WhatsApp para o Facebook.

Esta escolha dos procuradores de Curitiba e do então juiz Sérgio Moro já sinaliza que o real interesse sempre foi a preocupação com possíveis vazamentos. Mas se as conversas, como dizem os envolvidos, foram pautadas pelo republicanismo qual a razão do temor de vazamentos?

Pelo teor das mensagens que vem sendo reveladas, o republicanismo não parece ter pautado os diálogos, muito pelo contrário. Até o momento, o que as conversas trazidas a público revelam é uma relação na qual o juiz e os promotores pareciam serem um só. Atuaram com o mesmo propósito, acusação e juiz caminhando juntos. Nada ético. 

Por mais que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, insista na narrativa que não há nada demais nas conversas, o fato é que as denúncias são graves. Moro teve ingerência na atuação da Força Tarefa, interferiu na ordem das operações, cobrou celeridade, orientou na escalação de procuradores.   

A revista IstoÉ traz reportagem de capa na qual insinua que os vazamentos foram praticados por hackers da Rússia, Dubai e de Santa Catarina. Segundo a revista, a Polícia Federal (PF) já tem pistas que levam ao grupo responsável pela interceptação das conversas. Mas, também, é importante lembrar que o próprio Telegram negou peremptoriamente qualquer ataque hacker ao aplicativo.

Os principais veículos da imprensa internacional noticiam os vazamentos e classificam como grave ingerência no devido processo legal a atuação de Moro e dos procuradores na condenação do ex-presidente Lula. E aqui não se trata de afirmar que Lula é ou não inocente, se trata do direito de ter um julgamento isento. Não teve.

*Jornalista formado na Universidade Federal de Ouro Preto – MG

 

COMENTÁRIOS 12