Monthly Archives: julho 2013

O recado do papa para o governador que mentiu
   26 de julho de 2013   │     17:42  │  2

A posição do papa sobre os temas polêmicos como as drogas e o casamento gay é a posição do Vaticano e não tem novidade. Todos já sabemos qual é.

Mas uma frase curta e  incisiva do papa Francisco parece que passou despercebido do resto do país, menos do carioca.

E logo o carioca, pois o Rio de Janeiro é o Estado com o menor número de católicos no país, segundo o IBGE.

Pois bem, o papa Francisco disse isto:

-“Não adianta pacificar se a exclusão (social) se mantém”.

O governador Sérgio Cabral e o secretário de Segurança Pública, Beltrame, chegaram a ficar vermelhos quando ouviram.

É como quem pensou: até o papa já sabe que somos dois mentirosos?

Beltrame estava virando celebridade nacional formado num blefe que se chama UPP – Unidade de Polícia Pacificadora.

Um blefe.

Tudo continua no mesmo no Rio de Janeiro e a diferença é que algumas favelas viraram campos de concentração a céu aberto.

Daí, o carioca saiu às ruas e exatamente na rua onde o governador mora – que virou point de manifestação diária.

Cabral e Beltrame não levaram em conta de que a mentira tem pernas curtas. E se até o papa dá um recado desse, aí, não tem mais jeito.

Cabral ainda é candidato a senador em 2014, mas já tem gente dizendo que o melhor que ele faz tentar tirar o resto do mandato mesmo com o pelotão de choque tendo de guarnecê-lo 24 horas.

Os 10 anos do PT e o plano para mais 10 no poder
   25 de julho de 2013   │     12:54  │  4

O PT comemorou os dez anos de poder projetando ficar mais dez anos. O ex-presidente Lula, que só estava acordado de reaparecer na festa comemorativa em Salvador, teve de antecipar a sua reaparição em duas reuniões anteriores do PT – uma em Osasco-SP e outra em Brasília.

Tudo estava acertado para Lula dar o mergulho e emergir em Salvador, mas o boato de que a sua doença havia se agravado fê-lo antecipar a aparição.

A presidente Dilma, convidada para as reuniões em Osasco e Brasília, não compareceu. Mas foi à reunião de Salvador.

E ainda bem que a presidente não foi a essas duas reuniões anteriores do PT, se fosse iria ouvir em Osasco o Lula defender a redução dos ministérios, e, em Brasília, ouvir o Lula dizer o contrário, ou seja, que é contra a proposta do PMDB para reduzir o número de ministérios.

Há sim o excesso de ministérios. São 39 e a presidente não consegue se reunir com todos; tem ministros que nunca despacharam com a presidente.

O PT foi surpreendido com a reação das ruas e ainda procura entender o que aconteceu em junho, com toda aquela gente reunida sem que tivessem sido atraídas pelos movimentos sociais.

Originariamente sindicalista, o PT ainda procura entender – até porque, a manifestação convocada a seguir pelas centrais sindicais foi um fiasco.

Mas, nas comemorações dos dez anos do governo do PT, o que ficou é que o partido quer mais dez anos no poder. E agora?

Para se manter no poder o desafio do PT é recuperar a classe média – que se levantou em junho. Até agora, a estratégia do partido foi dominar a classe pobre achando que a classe média ficaria satisfeita apenas com casa, comida e roupa lavada.

E o projeto de mais dez anos do PT no governo passa por mais oito anos para Lula. Como será, essa é a nova missão do marqueteiro João Santana – que é o 40º ministro do governo, sem pasta.

Médico inventa dedal de silicone para fraudar ponto biométrico
   24 de julho de 2013   │     13:21  │  24

Em Alagoas, várias celebridades da televisão brasileira – e a maioria sequer conhece o Estado – foram submetidas a cirurgias mamárias pelo SUS.

Como assim?

Pois foram todas pacientes do SUS em Maceió, numa demonstração inequívoca de que o sistema vem sendo manipulado forjando-se gastos que não existem.

E sem nenhuma preocupação ou receio; não há sequer o cuidado de se maquiar a trama. Por exemplo: no lugar de colocarem na guia o nome Severina José da Silva, o que figurou foi a atriz Marisa Orth.

Já imaginaram a atriz Marisa Orth sendo operada das mamas pelo SUS em Maceió?

Pelo menos foi isso o que foi divulgado em nível nacional. Também em nível nacional soube-se da médica no Paraná que matava os pacientes na UTI para abrir vaga e aumentar o faturamento.

Uma médica-assassina, que pelo tempo de serviço que tem deve ter matado centenas de pessoas.

Em Brasília, os médicos inventaram um dedal de silicone com a impressão digital deles para fraudar o ponto eletrônico biométrico.

E pasmem! A médica flagrada batendo o ponto dos colegas faltosos era a filha do diretor do hospital público.

Essa série de irregularidades chegou aos ouvidos da presidente Dilma, que, dizem, ficou possessa. E quem a conhece tem a dimensão da sua reação.

A ideia do governo de trazer médicos estrangeiros é antiga, mas essa série de irregularidades apressou o projeto. E, de fato, não dá mais para esperar.

Os médicos estrangeiros vão estar nos lugares que os médicos brasileiros não querem ir, mas não é por falta de condições e sim porque a clientela é pobre.

E porque eles ficarão restritos ao serviço médico público – que existe, como vimos em Brasília, para ser burlado com dedal de silicone com a digital.

Em Brasília os médicos organizaram o revezamento de modo que um deles, um dia na semana, era encarregado de bater o ponto daqueles que não iam trabalhar.

E não iam trabalhar, segundo se apurou, porque estavam nos hospitais particulares ou nos consultórios faturando.

E o pior é que isso não se restringe a Brasília. O exemplo de Brasília é apenas a ilustração do que ocorre no país do Oiapoque ao Chuí.

A reação da classe médica à proposta do governo de importar médicos levou a argumentos que chegam a ser hilários. Na ação movida no Supremo Tribunal Federal contra o projeto do governo, o Conselho Federal de Medicina alega o seguinte:

1) O projeto cria a subclasse entre os médicos, ao determinar os locais onde os médicos estrangeiros vão trabalhar.

2) médicos estrangeiros devem ser submetidos ao exame de revalidação do diploma e provarem que dominam a língua portuguesa.

3) O projeto não poderia ser apresentado mediante Medida Provisória.

Pense nas alegações! Chegam a ser infantil. A primeira alegação é contra a finalidade do projeto e, pior, contra os anseios da população pobre – que é ter o médico perto de onde ela mora, seja na periferia ou no interior mais distante.

A segunda alegação, com a exigência da revalidação do diploma, é um contrasenso porque o Conselho Regional de Medicina de São Paulo aplicou o teste com médicos paulistas e de cada 10, apenas 3 foram aprovados.

E a terceira alegação é de natureza jurídica e não é da competência do Conselho Federal de Medicina discutir a Constituição. Esse é um problema para os juristas.

O governo está decidido a levar o projeto em frente; a população está ansiosa para ver o médico de perto, onde ela mora, e o Supremo vive o dilema de decidir favorável ao “status quo”.

O que significará decidir contra a população e em favor da miséria.

PS – Gente, escrevi contrasenso com “c” e o leitor Melo corrigiu. Quero dizer que o erro foi meu mesmo e não do revisor, como sugeriu o Melo. Contrasenso com “c” é quem é contra o censo do IBGE.

O primeiro milagre do papa que só tem um pulmão
   23 de julho de 2013   │     9:09  │  1

Formado em Química, inclusive com mestrado, e também em Filosofia, até 1966 ele era o professor de Literatura e Psicologia, em Buenos Aires,  Jorge Mario BergoglioE com apenas um pulmão, pois quando criança contraiu uma pneumonia que comprometeu um dos órgãos – que ele foi obrigado a extrair.

O professor Jorge Mario Bergoglio virou o papa Francisco, que não teve acrescido no nome o numeral porque é o único na milenar história da Igreja Católica com este nome. Só após ele, e se houver outro Francisco, é que se acrescenta o numeral.

Primeiro lhe sugeriram que adotasse o nome Clemente XV, numa espécie de “vingança debochada”, porquanto foi o papa Clemente XIV quem acabou com a Companhia de Jesus, da qual o papa atual é originário e quebrou outro tabu – é o primeiro papa jesuíta da história.

Mas ele optou por Francisco.

Os jesuítas, sem dúvida, foram os soldados mais avançados da Igreja Católica, para levar a fé cristã onde nenhum outro missionário havia chegado.

E a expectativa que os católicos, especialmente os latinos, têm em relação ao papa Francisco mostra que essa missão do jesuíta ainda se mantém firme apesar de toda a transformação ao longo desses anos.

No Brasil, foi o jesuíta Fernão Cardim o primeiro homem a registrar a seca no sertão nordestino. Em 1573, ele estava na caatinga na região onde hoje ficam as divisas dos Estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco e Alagoas quando localizou cerca de 2 mil índios que fugiam da seca.

Imagine que, se ainda hoje essa região só raramente é visitada pelas autoridades da República, como não seria em apenas 73 anos do descobrimento?

 Só poderia ser mesmo os jesuítas com a missão desbravadora, igual a que o papa atual tenta empreender para dar uma guinada na igreja Católica.

E uma coisa é certa:  o papa Francisco pode não conseguir trazer de volta o rebanho que se desgarrou; mas, com certeza, já impediu novos estouros da boiada insatisfeita. O que é o seu primeiro “milagre”. 

A “Operação Taturana” e o trabalho perdido com a impunidade
   22 de julho de 2013   │     12:30  │  3

Por muito pouco, pouco mesmo, pois foi “apenas” R$ 8 milhões, o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, Natan Donadon, foi condenado e está preso.

O dinheiro foi desviado do duodécimo.

E quanto se desvia do duodécimo dos Legislativos estaduais e municipais em Alagoas?

Não vamos individualizar a culpa, pois a prática é antiga, mas somando-se o que já se desviaram em Alagoas poderemos chegar a mais de R$ 1 bilhão.

Ou a mais de 1 bilhão de “donadons”.

Para que serviu a “Operação Taturana”?

Até agora não serviu para nada. Foi trabalho perdido e, se algo de sério não acontecer para pressionar as ações, os crimes praticados estarão prescritos já, já.

Ao tentar entender porque não dá em nada, em Alagoas, devemos ter o cuidado para não atribuir a culpa apenas à classe política – ainda  que as irregularidades tenham sido atos de políticos.

É preciso entender que, para que haja as providências, é imperioso que o Ministério Público e a Justiça cumpram com a sua obrigação – que é investigar e denunciar; e julgar e condenar.

A impunidade só existe com o respaldo de ambos – Ministério Público e a Justiça; ou de um só.

Até agora a aposta na impunidade tem vencido; até agora os crimes têm compensado, e não há esperança de mudança nesse quadro, mas é aconselhável prestar a atenção no humor dos cidadãos – que podem um dia se irritar e exigir dos poderes uma resposta imediata.

Não dá para superdimensionar a tolerância, nem subestimar o poder das ruas.

Preste atenção e anotem quantos são os candidatos em 2014 que não poderiam se candidatar se já tivessem sido julgados e condenados pelos crimes que praticaram?

Tempo para julgá-los já houve e ainda há. E se não forem julgados antes da eleição de 2014 é porque a impunidade triunfou novamente com a complacência da sociedade – que não vai poder reclamar.

Pois quem cala, consente.