Na noite que Elísio Maia chorou fazia frio em Pão de Açúcar
   16 de março de 2013   │     14:39  │  7

Fomos para Pão de Açúcar com a pauta definida numa só pergunta para ser feita ao saudoso  e famoso Elísio Maia.

O senhor mandou matar o prefeito Ênio Ricardo?

A pergunta era essa e exigia jeito para ser feita. Fomos com o repórter fotográfico Dárcio Monteiro e o Nelson, que era o motorista.

 Chegamos quase que no final da tarde e decidimos procurar o “seu Elísio” no dia seguinte; eu sabia que ele se recolhia cedo para dormir e também acordava cedo

Já estávamos na estrada para a Fazenda Torrões e decidimos parar num barracão, onde havia uma festa. Logo reconheceram o carro da Gazeta.

O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou o dono do barracão.

Viemos entrevistar o seu Elísio, mas já está escurecendo e ele dorme cedo. A gente decidiu entrevistá-lo amanhã de manhã.

Cerca de 20 minutos depois aparece um portador montado num cavalo e diz pra gente que o seu Elísio está nos esperando na fazenda. Já estava escuro e fazia muito frio, mas fomos lá.

Seu Elísio nos recebeu na varanda da casa grande, de pijama azul, o revólver na cintura, mas solícito. Um dos seguranças dele cismou com o Nelson, porque não saiu de dentro do carro; o Nelson estava com frio e procurava se agasalhar.

Mas nada sério; o segurança logo entendeu.

Fizemos várias perguntas e deixamos a principal, a que moveu a pauta, por último. Aí eu criei coragem:

Seu Elísio, o senhor mandou matar o prefeito Ênio Ricardo?

Foi o momento mais tenso. Seu Elísio ensaiou se levantar da cadeira e tornou a se sentar, mas bradou de dedo em riste:

Caboclo! Me respeite! Eu recebo você na minha casa e você vem perguntar uma coisa dessa? Eu não mandei matar ninguém, ta ouvindo caboclo!

A coragem já estava se esvaindo, mas ainda pude explicar:

Seu Elísio, eu tinha que fazer essa pergunta ao senhor. Eu vim aqui para isso. Mas com todo respeito.

Gente! Temos aí como testemunhas o companheiro Dárcio Monteiro e o Nelson. O seu Elísio decidiu contar-me a vida dele desde o assassinato do líder político de Pão de Açúcar, Joaquim Rezende, pai do ex-deputado estadual e ex-prefeito Cacalo.

Contou e chorou. Parecia uma despedida, porque foi a última entrevista dele; foi a última vez que recebeu e conversou com um jornalista.

Seu Elísio enxugava as lágrimas na camisa do pijama; não sei se era choro de arrependimento ou de pedido de perdão. E eu ainda tive a ousadia de perguntar:

Por que o senhor matou o Joaquim Rezende?

Porque ele me empurrou. Ele estava discutindo com meu irmão e eu cheguei, e ele me empurrou dizendo: sai pra lá, Elísio! Me empurrou assim, com as mãos no meu peito.

E assim nós podemos dizer que vimos o Elísio Maia chorar. Não sei se outras pessoas viram outras vezes, mas naquela noite fria na Fazenda Torrões só estavam eu, o Dárcio, o Nelson, três seguranças dele e a empregada.

Ao sairmos, um dos seguranças pegou-me pelo braço e pediu para não divulgar nada na GAZETA. E eu concordei e cumpri. Pelo menos, enquanto o seu Elísio esteve vivo.

COMENTÁRIOS
7

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. Alessandro Araújo Pereira

    Só nasce um homem desses a cada 200 anos, pra mim líder absoluto.Pão de Açúcar era mais produtiva do que hoje.

    1. sabina

      Apezar de tudo foi um ótimo politico ajudou muita gente ,é como todos tem o seu lado bom e o seu lado ruim .dependia das pessoas que te cercava ,se no mundo que vivemos hoje tivesse o respeito que se tinha antes a impunidade seria menos só acho!?!

  2. Arley Brandão

    O pouco que eu conheci Elísio Maia, deu pra ver que:Elísio Maia,FOI muito mas benéfico À SOCIEDADE PÃODEAÇÚCARENSE,que mesmo os problemas ditos por muitos que não o conheceram. Hoje Pão de Açúcar, vivi um clamor, o povo lembrando que nus tempos MAIA, a coisa era outra. Hoje todo “VAGABUNDO” quer ser o dono da cidade. Elísio Maia, foi um homem respeitador,considerado por toda região, O PAI DA POBREZA. Em quanto teve nesse mundo de meu DEUS,ajudou à muita gente, que vivia passando fome, principalmente,na época da seca.Falar em Elísio maia,é lembrar que éramos felizes e não sabíamos. Uma historia de generosidade de Elísio Maia.Um certo dia, estávamos sentados no banco da praça,enfrente à casa de João Amador.Eu Arley,Antonio Lima,Zé de Furtuozo,João de Luzia,Tavinho e Ademir Fonseca,e os dois seguranças de de seu Elísio,Julio e Bodão, quando de repente apareceu um senhor alto,de olhos claros,perguntando se alguém conhecia seu Elísio.Na hora ninguém respondeu, foi quando o pro pio Elísio Maia,se identificou dizendo:Diga homem,o que você está precisando, e o Homem falou pra seu Elísio,eu estou precisando de dois pneus de caminhão, que ao descer a serra chegando em Niterói,os dois pneus dianteiros estouraram.Na mesma hora, seu Elísio, pediu a um dos seus homens de segurança,que fossem na casa de George,pra que o mesmo tirasse do caminhão dois pneus pra arrumar ao moço, pra que ele saísse do prego,e seguisse o seu destino. JAMAIS VOU ESQUECER.

  3. Sebastião Magalhães

    Uma correção: O saudoso político e industrial Joaquim Rezende não era pai, mas sim tio do ex-prefeito Cacalo. Joaquim Rezende era pai da professora Ana Dayse, ex-reitora da UFAL.

  4. [email protected]

    É MENTIRA TETA?………………………….

    Verdaaaaaaaadeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.

  5. Alessandro

    E o que dizer de tantas viúvas e filhos e outros, que ainda hoje chorão a perda de seus entes queridos pelas mãos sujas de sangue desse “saudoso” coronel e seus asseclas.

  6. Manoel Rezende

    Correção: Joaquim Rezende não era pai do ex-deputado estadual e ex-prefeito Cacalo, o parentesco era outro. O pai do mesmo se chamava Manoel Lima.

Comments are closed.